Lives à muangolê!…

Quase já não restam dúvidas, se o Covid 19 nos fatiga e distancia, as lives, ao sábado ou domingo, na TPA ou na TV Zimbo, nos alegram e unem, em família, com o Show do Mês a mistura, tudo a maneira muangolê.

Os bons hábitos e bons costumes, estão a ser resgatados, a pureza e originalidade da música angolana, a ocupar lugar de destaque, os ícones do music-hall nacional, relembrados, David Zé, Urbano de Castro, Artur Nunes, na ribalta, a dimba está a bater na muxima, é só katuta, puxa katuta.

Ao final de semana, ultimamente, quem circula perde, todos acantonados no cubico, não precisa police para pôr ordem, as lives animam, o povo atento ao Covid, recordar é viver, os promotores organizam, fazem vibrar, a Nação participa.

Matias Damásio e Yola Semedo abriram as hostilidades, corona não nos aguenta, Don Caetano, Ary, Puto Português, Edmasia, Euclides da Lomba, Patrícia Faria, entre tantos outros, seguiram o exemplo, tudo a musicar para resistir, fazer a vida sorrir.

Os ritmos quentes da música, made in Angola, voltaram a fazer a festa, ocupar espaço cultural, libertar a letargia produto da pandemia, criar novos hábitos, saber ficar em casa, sempre a subir, ouvir boas quetas da terra, deixar de andar atoa.

Com invisíveis ou desconhecidos, nada de se assanhar, os conhecidos deram a cara, desde a Tuga, Kota Bonga, Paulo Flores e Yuri da Cunha, temperaram a sembalogia, no país e no estrangeiro, tudo parou, as ruas as moscas, Covid não pagou IVA, “pato fora”, o espectáculo fez história.

Nova live, coisas novas, Mito Gaspar e Gabriel Tchiema, não deixaram os seus créditos entregues em mãos alheias, ao ritmo da mbwenzena e da tchianda, meteram fogo na canjica, arrebentaram, uaué mama ué, nos cubicos, todos no compasso, cadeiras já não tem pé, com distanciamento social, kichimbula de primeira, coisa séria, Covid em parampas, na segunda-feira, nada de positivo.

A maka é grossa, estamos cacimbados, quem nos desafia nos desconsegue, na nossa terra não há palmo para intrusos, para dar mais raiva, Justino Handanga e Sabino Henda, no Domingo, vão entrar na sintonia, é som da pesada, corona vai nos sentir, faça sol ou chuva, com calor ou frio, estamos, estaremos sempre em pé, na linha da frente.

Que venham mais lives à maneira muangolê, a nossa identidade em primeiro lugar, importar não é prioridade, a onda passou, na nossa praça temos valores, que chegam e sobram, é só valorizar, dar mais oportunidades, ultrapassar fronteiras, talento não nos falta, somos capazes para fazer da nossa música, da nossa cultura, património mundial.

João Rosa Santos

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