“Acontecerá de novo”, diz ex-primeira-ministra neozelandesa que analisará reacção global à Covid-19

Helen Clark, ex-primeira- ministra da Nova Zelândia, alertou que, se o mundo continuar “despreparado” na sua reacção a pandemias, enfrentará crises económicas, sociais e políticas no futuro depois de ser indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para liderar uma revisão da reacção global à pandemia de Covid-19.

Na noite de Quinta-feira, a OMS anunciou que Clark e Ellen Johnson Sirleaf, ex-presidente da Libéria, comandarão uma comissão que esmiuçará a reacção global.

O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, qualificou as duas mulheres como “líderes determinadas e independentes”, visando sublinhar a sua liberdade na avaliação das reacções da sua agência e de governos à doença.

O surto de Covid-19 surgiu na China no final de 2019. Ele já infectou 12,16 milhões de pessoas em todo o mundo e 550.242 morreram, de acordo com uma contagem da Reuters.

Os Estados Unidos acusaram a China de não ter sido aberta com o resto do mundo nos estágios iniciais do surto. Pequim refutou a acusação e rejeitou clamores por um inquérito com firmeza, descrevendo os esforços como uma propaganda contra o seu país liderada pelos EUA.

Depois de aceitar o cargo, Clark disse que o posto só pode ser descrito como “excepcionalmente desafiador”. Em uma entrevista à emissora local TVNZ, nesta Sexta-feira, ela disse que esta foi a sexta vez em 17 anos que a OMS declarou uma emergência de saúde pública. “Isto acontecerá de novo.

Se o mundo for tão despreparado na reacção como foi a isto, estaremos numa crise económica, social e política contínua”, disse Clark à TVNZ. Ela ainda disse que haverá muitas consultas para a indicação dos membros da comissão.

“Mas também existe um trabalho muito real a ser feito, que é ver como a OMS tem conseguido liderar. Será que ela tem os mecanismos certos? O que realmente aconteceu aqui? E existe muita política nisso.”

Ela disse que trabalhará de casa, em Auckland, no futuro próximo enquanto desenvolve o projecto. A Nova Zelândia é um dos poucos países que virtualmente eliminaram o vírus.

A ilha do Pacífico Sul não tem casos conhecidos de transmissão comunitária e a economia voltou à normalidade pré-pandemia.

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