Carta do leitor: Nada está perdido ainda!

Por: Mário da Rocha
Luanda

A cada dia que passa o número de casos aumenta na cidade capital do país e já há sinais de que o Coronavírus esteja para além de Luanda e do Cuanza-Norte. Tudo acontece depois de um estado de emergência e de uma situação de calamidade.

Hoje, o que vivemos se aproxima do Estado de Emergência, altura em que, infelizmente, um número significativo de angolanos quase que não acreditava na gravidade da doença, de tal forma que ainda se descurava o cumprimento de algumas regras.

Infelizmente, foi necessário que o número de casos aumentasse significativamente para que muitos olhassem para o Coronavírus com outros olhos. E o aparecimento de casos em mercados, durante a realização de testes em massa, faz com que a situação se apresente mais caótica e o medo nas ruas, cidades e até aldeias se tenha imposto.

O que se assiste ultimamente em Luanda, particularmente, onde, apesar de alguns casos isolados, a maioria dos cidadãos parece usar máscaras e também ter melhorado nos cuidados, demonstra que ainda persistimos no velho hábito de que as coisas têm que ser feitas quando tudo parece irreparável.

Quem conhece os angolanos sabe do velho hábito de que não adianta chegar cedo a um determinado local. Há sempre a esperança de que o visitado aguarde por nós mais 15 minutos. É o mesmo que observamos nas festas e outros encontros, incluindo os familiares.

Foram vários os anúncios feitos para que as pessoas se protegessem, que usassem máscaras e até que não saíssem de casa. O que se viu poucos acreditavam se tratar de estado de emergência ou até mesmo situação de calamidade. O nosso sexto sentido parece ter despertado apenas por causa do número de mortes e o aumento de casos.

Qualquer um de nós, hoje já tem quase a consciência de que a doença está mais próxima do que nunca e não apenas nos relatos que ouvíamos, líamos ou assistíamos a partir das rádios, jornais ou noticiários de televisão.

Ainda bem que se conseguiu ganhar maior consciência. Que todos estão conscientes de que o mal está presente, não se trata de nenhuma ficção e que se nos comportarmos bem poderemos diminuir o seu impacto no nosso bairro, cidade, província e no país.

Nada está perdido. Basta que cada um faça a sua parte para que não sobrecarreguemos o nosso já debilitado sistema de saúde e os nossos insuficientes leitos.

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