Cidadãos condenados por tentativa de venda de chimpanzé morto e com tétano

O Tribunal Provincial de Cabinda condenou, ontem, os dois cidadãos nacionais que tentaram comercializar um kalita (filhote de chimpanzé), de 4 anos, que morreu de tétano. Os cidadãos foram condenados a 1 ano e quatro meses de prisão, com pena suspensa, e ao pagamento de caução de 60 mil Kwanzas/mês

Detidos em flagrante, no ano passado, os cidadãos Afonso Gomes, de 31 anos, proprietário da cria de chimpanzé, e Salomão Mavungo, de 38 anos, motorista, estavam a ser julgados por tráfico de animais em vias de extinção e cuja sua criação e comercialização é proibida por lei, pelo Tribunal Provincial de Cabinda.

Ontem, segundo o director Parque Nacional do Maiombe, José Bizi, os dois cidadãos foram condenados a um ano e quatro meses de prisão, numa pena suspensa, pelo facto de não terem antecedentes criminais, sob a obrigação do pagamento de uma caução de 60 mil/mês.

O tribunal ainda ditou que aqueles cidadãos não poderão cometer nenhum crime, nos próximos três anos, tanto do fórum ambiental ou de outra índole. Caso venham a cometer qualquer crime, os cidadãos serão chamados a cumprir a pena pela qual foram condenados.

De acordo com o administrador do parque, José Bizi, em entrevista exclusiva ao jornal OPAÍS, dos dois cidadãos condenados pelo 3º Cartório do Tribunal Provincial de Cabinda, um é o traficante e outro é o motorista, pelo que a Lei coloca os dois a incorrerem ao crime de pena de prisão que vai de seis meses a três anos. Os dois foram apanhados numa casa onde pretendiam negociar o chimpanzé.

Os grandes primatas são uma espécie específica de África, segundo o entrevistado, e não de todos os países deste continente, mas dos que banham a bacia do Congo, nomeadamente, Angola, RDC, Congo Brazzaville e Gabão. É nesta bacia que tem o habitat natural dos grandes primatas, pelo que estes devem ser protegidos dada a sua raridade.

A bacia do Congo é tida como o habitat natural dos grandes primatas porque estes alimentam-se de frutos silvestres, e neste local encontra-se estes tipos de frutos em abundância.

O combate a caça furtiva tem sido acirrado, principalmente quando se trata de grandes primatas, porque José Bizi disse que estes animais catapultam o turismo.

Trabalhar na mitigação do conflito homem e animal

Outrossim, o responsável do Parque Nacional do Maiombe é de opinião que se deva investir na mitigação do conflito entre o homem e o animal.

Neste contexto, no quadro das actividades de empreendedorismo que estão a ser levados a cabo pelo Ministério da Agricultura e Floresta, na atribuição de gado, aves para as comunidades, estão a ser capacitados com seminários muitos cidadãos, em Cabinda.

São no total 60 formandos afectos às comunas de Inhuca, Necuto e Comuna Sede de Buco Zau. Foram transmitidos, entre outros aspectos, alguns métodos simples para mitigar o conflito homem – elefante; dadas recomendações no que tange a abstenção do cultivo nas rotas naturais dos elefantes, evitar o derrube de árvores, adesão nas cooperativas para o maior rendimento; cultivo de gengibre, gindungo, ginguba, café, que são produtos não consumidos pelos elefantes.

“Somos a salientar que o conflito homem – animal, em Cabinda, tem sido uma tónica durante os 12 meses do ano. Ele varia por espécies. Temos o mais assentado conflito Homem – Elefante e o regular com outras espécies tais como: gorilas, chimpanzés, pacaças e outros ruminantes de pequeno porte”, disse, José Bizi.

Felizmente, destes conflitos, ainda não tiveram danos humanos, apenas danos nas culturas das populações, no município de Cacongo, todas aldeias da comuna do Dinge, Buco Zau e do Inhuca; metade da comuna do Necuto e na sede do municipio, Belize, comuna do Luali e metade da comuna do Miconje.

Para afugentar as manadas de elefantes, orientam que se misture “excrementos do elefante, serradura, gindungo, óleo queimado e coloque num recipiente de 5 ou 10 litros.

Faça furos, coloque fogo e tape por cima. Esta mistura deverá ser colocada a pelo menos quatro recipientes, por volta da lavra, a favor do vento, para que o fumo vá em direcção das esculturas. O cheiro irá criar irritação ao elefante e este sairá do local”, explica.

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