Desligados domínios AO não actualizados

Advertência é do ministério de tutela que diz ser o único detentor dos direitos de seu uso e licenciamento junto da autoridade internacional que gere o serviço a nível planetário. Muitos utilizadores das TIC’s reclamam da inoportunidade da operação

O Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social emitiu na edição de 10 de Julho de 2020 no Jornal de Angola um comunicado em que avisa do “iminente desligamento” dos endereços com o domínio AO, reclamando ser a entidade com tutela do mesmo.

“O ccTLD.AO é o domínio primário da presença angolana na internet para sítios com endereço AO, o qual, conforme todas as suas congéneres no mundo, cumpre rigorosamente as regras internacionais da IANA.org obrigando-se à correcção dos dados de titularidade de qualquer endereço registado”, lê-se no comunicado do ministério.

Assim, O Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social “adverte” a todos os utentes que tenham o endereço na vasta lista que publica que, os mesmos encontram-se em situação irregular e que “por cortesia” estava avisar antes do desligamento definitivo.

Os abrangidos, são convidados a aceder a DNS.ao para o preenchimento de um formulário de “fiabilidade de dados” segundo passos automáticos, avisando que em momento nenhum o processo passaria por ligação telefónica, reservando a tramitação exclusivamente por este processo desmaterializado.

Da lista, constam desde instituições do Estado, bancos, fundações, sociedade civil, projectos, empresas públicas, projectos, eventos, sites comerciais, supermercados, universidades, dentre outros.

A IANA, sigla em inglês de Internet Assigned Numbers Authority, é a entidade com a missão de coordenação global dos recursos de raiz do DNS, endereçamento IP e outros protocolos da Internet e alguns dos principais elementos que mantêm a Internet funcional sem problemas, embora ela (a internet) seja reconhecida por ser uma rede mundial livre.

Internautas reclamam

Enquanto isso, usuários das TIC’s manifestaram a sua insatisfação “pelo sentido de falta de oportunidade” do governo que em plena pandemia da Covid-19 e a entrada de final de semana decide desativar os domínios.

Uma internauta comentando as dificuldades que experimentou afirmou em um post nas redes sociais “estamos em confinamento e não podemos fazer uma transferência bancária online porque a maioria dos bancos e serviços essenciais à economia do país não têm nenhum serviço activo e nem conseguem receber mails”.

Outro atirou: “Não esta fácil esta fácil perceber essa decisão inoportuna”, enquanto outro referia que o problema já estava a ser vivenciado nos últimos dias.

Abdul Santos, especialistas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’S) referiu que, não era necessário instalar-se o “pânico” no seio dos usuários atendendo que o detentor dos domínios esta apenas a fazer cumprir os pressupostos legais e que as entidades abrangidas devem preencher o formulário obrigatório (via electronica) e pagar as taxas devidas para continuarem a usufruir dos domínios.

“Penso que o timing é que terá sido um pouco curto mas, que os utentes devem de tempo em tempo dar prova do uso do serviço isso faz-se em todo o mundo”, comentou Abdul que também acrescentou que todos que terão vistos os domínios desativados têm sempre uma segunda oportunidade.

Os domínios são recuperáveis mediante preenchimento do formulário e submissão via electronica “desde que se cumpra as exigências” impostas pelo departamento governamental que tutela as TIC’s no país.

Os especialistas acusam que alguns dos utilizadores “caíram no desleixo” de não cuidarem deste processo e isso não é bom para a segurança das operações no país e a fiabilidade do trafego para nacional no contexto da rede mundial da Internet, pelo que o procedimento deve ser executado.

“Operação era necessária”

O director geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação (INFOSI), Meick Afonso, assegurou a OPAÍS que a operação esta a permitiu a normalização da infraestrutura do domínio do topo nacional que é o AO.

O responsável assegurou que o domínio do país deve cumprir com as regras de compliace internacional face a reputação a que está obrigado e apresentar os registos com informação credível dos seus titulares.

“Os registos dos domínios precisam ser fiabilizados e conseguimos alcançar uma cifra acima dos 70 por cento o que demonstra a celeridade com que decorre o processo”, asseverou.

O responsável referiu que apesar da internet hoje ser um veículo de comunicação é também um espaço para o cometimento de muitas fraudes, daí a necessidade de clareza e integridade dos dados daqueles que a utilizam.

“Os titulares de registos que mais rapidamente aperceberam-se da obrigação e antes do dia conseguiram garantir a fiabilização dos seus dados não viram os seus serviços interrompidos”, revelou.

O processo já decorria de um tempo a esta parte, e o dia 10 de Julho era a data limite para assegurar ao país e ao mundo o alcance de “um bem maior” que é a salvaguarda do próprio domínio, sob pena do vir a ser banido.

“”Devemos tranquilizar que não se observou nenhuma paragem técnica de infraestrutura de domínio a nível nacional. Os serviços públicos como a banca e outros que tinha os seus registos fiabilizados e operacionalizados chegaram a data limite sem problemas de paralisação”.

O responsável assegura que a operação decorre da necessidade de organizar e garantir maior e melhor gestão do serviço pelo que ontem (dia 10 de Julho de 2020) foi emitido o aviso.

Perspectiva comercial do registo de endereços no Domínio .AO 

Em 17 de Junho de 2019 foi relançado o serviço de registo de endereços no domínio .AO com substancial melhoramento da taxa de pedido de registo que foi reduzida para 8000 Kwanzas para pedidos com 1 ano de vigência.

Durante os primeiros 6 meses de actividade, foram recebidos pedidos para 2500 novos endereços no domínio .AO, seis vezes mais pedidos do que ocorreram nos 5 anos anteriores.  Esta estatística é válida para apenas 1 registrar homologado, a eLoja do SEPE.gov.ao disponível no portal dos serviços públicos electrónicos do Governo.

Esta política de preço agressiva é o principal catalisador da intenção do Executivo democratizar a presença de cidadãos e empresas na internet mas, é apenas o princípio.

A dns.ao tem um vasto conjunto de novidades para introduzir ao longo de 2020 que impulsionarão o crescimento do sector, tais como: a homologação de mais Registrars, cuja dinâmica comercial de mercado provocará mais registos, novas ferramentas de suporte à criação de sítios na internet e novas ferramentas de comércio electrónico na internet para dinamização dos negócios do micro e pequeno empresário.

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