Especialista defende aposta na educação para o alcance do desenvolvimento

Professor e especialista em Ciências Políticas, Américo Quissola afirmou, ontem, em entrevista exclusiva a OPAÍS, que não haverá crescimento e nem desenvolvimento se não se apostar na educação de qualidade

Ao fazer uma análise à revisão efectuada ao Orçamento Geral do Estado para o Exercício Económico de 2020, o especialista referiu que, caso haja uma alteração no preço do barril de petróleo (acima de 35), a aposta deve recair no investimento no mercado interno, mas considera urgente aumentar o orçamento para a educação.

Américo Quissola salientou que tudo nasce da educação e considera que todos os países que assim procederam estão a colher os frutos.

“Sem educação não há saúde e saúde anda de mãos dadas com o saneamento. É vergonhoso ocuparmos os últimos lugares no ranking do investimento em educação e querermos uma educação de qualidade. Até hoje temos sombras de árvores como salas de aulas. Insisto em educação porque só ela iluminará o fundo do túnel”, disse.

Sublinhou que a aposta no capital intelectual deve ser prioridade e acrescenta que sem educação não há agricultura, pesca, recursos naturais, tecnologia e outros.

O especialista defende que uma educação de base de qualidade deve colocar em primeiro ciclo as creches, as escolas do primeiro ciclo e assim subir com qualidade.

“Quando invertemos a pirâmide é fracasso na certa. Pirâmide invertida é boa para o jornalismo. E há a aposta na infra-estrutura (estradas): pensar na agricultura sem estradas é como jogares rede no mar para coares o sal”, salientou.

Dependência do petróleo

O especialista entende que para acabar com a dependência do petróleo, este deve ser visto como mais um produto. Alega que o país acomodou-se, deixando de investir no mercado interno, pensando somente nas receitas do ouro negro.

“A formação do homem fará da nossa agricultura uma locomotiva. Temos mar, terras aráveis, fauna, flora, rios, etc. Aqui temos tudo o que os outros países não têm, mas falta o que eles têm: inteligência para investir no capital intelectual. Pensa-se antes no turismo depois nas estrada e no hotel”, acrescentou.

Revisão e cortes orçamentais

A fonte considera que a revisão que se efectuou no OGE não é real, por não depender dos angolanos e sim do mercado externo. Alega que Angola depende do sopro do vento, e nada é estável.

Afirma por outro lado, que a política do Estado angolano é exclusiva e elitista e alega que na actual conjuntura, não há grandes expectativas para o povo. Salientou que nunca houve uma distribuição de renda para atender aqueles que mais precisam do Estado.

“Essa redução de despesas é previsão. Não há certeza de facto. Não há uma diminuição na folha salarial do Estado. Os cortes previstos, com certeza, poderão ser usados para alimentar o trivial. Corta-se um lado e exagerase em outros campos. Precisamos de uma reforma administrativa séria e não de um faz de contas”, concluiu.

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