Inéditos de Amália gravados em Paris são editados dia 23

Uma caixa com cinco CD com gravações inéditas de Amália Rodrigues em Paris é editada no próximo dia 23, quando a fadista completaria 100 anos

Uma caixa com cinco CD com gravações inéditas de Amália Rodrigues (1920-1999) em Paris é editada no próximo dia 23, quando a fadista completaria 100 anos, no âmbito da edição da discografia integral da fadista.

Dos cinco discos, apenas um deles é já conhecido, o espectáculo de Amália no Olympia, em 1956, remasterizado a partir das bobinas originais.

Os outros incluem gravações entre 1957 e 1965, de actuações ao vivo e em estúdio na Rádio France, dois espectáculos completos, novamente no Olympia, em 1967 e em 1975, e ainda uma actuação para emigrantes portugueses, em 1964.

Apesar de ter actuado por todo o mundo, o Olympia, em Paris, foi fulcral para a carreira de Amália, que, em várias entrevistas, se referiu a capital francesa como a rampa de lançamento do seu prestígio internacional “De Paris, parti para o mundo”, afirmou a fadista.

Em Junho de 1956, uma revista portuguesa relatava deste modo o êxito da fadista na capital francesa: “Amália canta, e Paris acredita! A nossa Amália andou ao colo de Paris como se fosse um bebé gorducho e bonito que faz gracinhas. Em toda a parte, e em todos os seus espectáculos no Olympia bastava-lhe chegar e logo se espalhavam sorrisos de simpatia, expressões de curiosidade, de admiração, talvez algumas de ciúme. Porque Amália é uma espécie de Casanova intelectual…”.

E a mesma publicação acrescentava: “os franceses começaram a ouvir a Amália desde que começou a correr nos ecrãs de Paris, o filme ‘Les Amants Du Tage’. O ‘microsillon’ da Amália que concentra dez trechos dos melhores do seu reportório, existe em todas as emissoras, nos jukebox dos bares e em todas as casas onde há um pick up [gira-discos]”.

O jornalista, Olavo d’Eça Leal, realçou ainda as “muitas solicitações” da artista que “em dez” tinha “de esquivar-se a nove”. “O quadrante do relógio não lhe permite agir de outro modo”, justificava Eça Leal.

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