Bolseiros angolanos no “Magrebe” preenchem tempos de desconfinamento com cursos complementares

Segundo eles, essa decisão já foi efectivada durante o tempo de de confinamento social provocado pela Covid-19, sendo que, nesta altura, se servem da parte do tempo que as aulas abriram, por via da redução da carga horária diária, já que, em condições normais eles estudam nos dois primeiros períodos de cada dia útil

Estudantes angolanos que frequentam os seus estudos, por bolsas do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), na Tunísia, Argélia e no Reino de Marrocos revelaram a OPAÍS que optaram por preencher o que consideram de muito tempo livre com formação online em áreas práticas complementares às suas especialidades.

Trata-se de cursos virados para o capítulo técnico-profissional, de índole psico-motor e lúdicos, como são alguns de capacitação acessória à especialidade de Moeda, Finanças e Banca, designadamente Excel, Macroeconomia, Gestão, Coaching e Informatização de documentos específicos, feitos maioritariamente por estudantes radicados em Tunis (Tunísia), que frequentam a Faculdade de Economia e Gestão da Universidade de Tunis El Manar.

“Nós vimos aqui para nos formarmos e, independentemente da fase da pandemia, devemos estar focados no nosso objectivo e aproveitar todas as oportunidades que temos, sobretudo quando resta algum tempo para tal, disseram António Manuel Joaquim da Silva e Weba Pereira, da especialidade acima referida.

De acordo com os mesmos, o curso que estão a seguir é bastante complexo e a sua aplicação prática exige domínio em várias áreas do saber técnico-científico, por isso, não se dão ao luxo de parar no tempo, a fim de, futuramente, não se verem ultrapassado pelos desafios que a vida profissional lhes impuser.

Os futuros economistas de Moeda, Finanças e Banco que, actualmente, residem em Tunis, há mais de três anos, adiantaram que o desconfinamento registado há pouco tempo na Tunísia pôs um termo no tédio em que se encontravam.

“Retomaram as aulas presenciais, os dias têm sido mais tranquilos, já podemos praticar futebol, visitar lugares turísticos”, disseram, animados com o facto de haver mais tempo e espaço recreativos.

Manuel Adão Hebo, pre-finalista da especialidade de Economia quantitativa preferiu inscrever- se e frequentar os cursos de Introdução à Análise Macroeconómica, Algebra, Vocabulário e Inteligência Vocabular, Gestão de Conciliação e Trabalho e Estudo e Coaching.

Assegurou que esses instrumentos técnicos lhe darão uma competência e segurança mais integradas para encarar qualquer problema da sua área de actuação.

“Acho que cada um tem aproveitado da melhor maneira possível. Eu tenho entrado em contacto mais constantemente com as pessoas e é por causa disso que, durante esse tempo tive o privilégio de fazer muitos cursos em diversas universidades do mundo, via tele-curso, então, está a ser um momento único”, frisou.

“Apesar das infelicidades que se está a viver, temos estado a aproveitar esse momento de dificuldades com formações”, disse a este jornal Mariano Hebo, que realçou o facto de também estarem a manter mais contactos com aquelas pessoas com quem tinham pouco tempo em períodos normais.

Referiu ainda que os momentos mais difíceis da vida devem ser encarados como uma grande oportunidade para desenvolver muito aprendizado e de superação para vencer as barreiras, não sendo menos importante ter um pensamento positivo perante tais circunstâncias.

Cursos psico-motores e recreativos

Os estudantes da Universidade de Tunis El Manar, agregaram ainda os cursos de cântico, prática e manejo de instrumentos musicais, línguas e outros de índole recreativo, psico-motor e lúdico.

Quem se destacou nesse capítulo é Joelma Madalena Coordeiro Chimuco, de 22 anos de idade, que frequenta o 2º ano de Electrónica, Electrotécnica e Automação.

Ela escolheu fazer os cursos de Inglês, Alma e Escrita nas Palavras, além de ter acedido a programas de aprendizagem de cânto.

Justificou a opção pelo curso de língua por seu este um dos factores que complicou o seu processo de adaptação nos primeiros dias.

Já sobre as aprendizagens na área da recriação, argumentou que os primeiros momentos em Tunis foram de muitas interrogações e algumas depressões e frustrações, muitas vezes motivadas pela resposta do novo meio social que encobria alguma tendência de discriminação e racismo, além de outras formas de “bullying” silencioso protagonizados pelos “encontrados”.

“Durante as férias já temos mais liberdades para sair e explorar o país em que nos encontramos e é a época em que mais temos tempos para sair e fazer algumas coisas contrárias às da rotina”, referiu, para demonstrar que essas e outras actividades do género ajudam-na a reconfortar a alma e desfazer-se temporariamente das saudades da terra e da família, que usava como resposta nas investidas dos rotuladores.

Embora haja pouca disponibilidade dos falantes para ensiná-la, um dos sonhos de Joelma Chimuco é não sair da Tunísia sem aprender a língua Árabe, por a considerar como idioma de refúgio dos nativos dessa região de África, sobretudo nas circunstâncias em que decidem segredar algo bom ou mau.

“Que Angola não páre na Covid- 19”

O apelo é do recém-licenciado em Engenharia Informática Bruno Casaca, que disse ter-se ocupado em pesquisas de muitas aplicações e programações adequadas à formação em tempo de crise.

A sua tristeza foi ter ouvido sobre a paralisação quase que total das aulas, até mesmo no curso de Engenharia Informática, que possui ferramentas adequadas para a formação à distância.

“Compreendo que a Internet no nosso país não é muito boa. Se pudessem melhorá-la, seria bom, porque a Internet, hoje, é um professor magno. Senão a temos, temos livros. A auto-formação é fundamental na vida de um estudante, pois, este não deve limitar-se ao que ensinam nas universidades ou por outras instituições competentes.

O informático deseja força e coragem a todos jovens que se encontram no país, sobretudo nessa fase muito complicada, uma fase de crise, e que considerem as referidas circunstâncias como propícias para se encontrar oportunidades para investir, empreender e inovar.

“Que Angola não pare nesse tempo da Covid-19. Aliás, deve encará-lo como um desafio para desenvolver capacidades de criatividade, incentivando a juventude a tomar a dianteira na busca de soluções para os problemas”, encorajou.

Recordou que, com essa pandemia, as faculdades fecharam, muita gente parou de exercitar, tendo referido que o ser humano é um elemento que vive de repetições e, se ele não cumprir este processo cognitivo, acaba por esquecer tudo.

O jovem, oriundo de Chitato-Dundo, província da Lunda-Norte, falou dos seus vários projectos e sonhos, tendo manifestado, igualmente, o desejo de ver o seu país a progredir e a tornar-se na primeira economia de África.

Argélia, palco de aprendizagens

Domingas Quicassa (26) e Abraão Nunes, respectivamente nas especialidades de Geologia e Engenharia química, consideram este país do Magrebe um palco adequado para aprendizagem. Residente na cidade de Oran, Domingas Quicassa chegou mesmo a dizer que até as dificuldades que teve nos primeiros dias constituíram, para si, um factor de muito aprendizado.

Durante o confinamento social, ela teve a oportunidade fazer algumas formações complementares à sua área de estudo. Há seis anos na Argélia, Domingas contou que o facto de estar numa fase de elaboração da monografia de mestrado lhe deu ainda mais oportunidades para aprender. Por seu turno, o futuro engenheiro químico Abraão Nunes, residente na cidade de Boumerdes, informou que ele e os seus colegas têm muita vontade de contribuir para o engrandecimento de Angola.

Foi por isso que se dedicou a fazer muitos cursos teoricamente complementares à sua área de formação científica.

“Com a pandemia, tive de me abster de muita coisa, porque tive de ficar em casa. As actividades têm sido mais mentais, ler livros, praticar canto, aprender mais uma língua”, detalhou.

Em Boumerdes, as aulas presenciais poderão reactar em meados de Agosto, segundo apurou OPAÍS do seu interlocutor, que garantiu estarem, de momento, a receber única e simplesmente matérias ou conteúdos desprovidos de qualquer explicação.

Marrocos de línguas híbridas

Débora Maira João, de 24 de idade, há quatro anos e cinco meses que se forma em Arquitectuta e Designer. Disse que vive numa das cidades mais calmas e com potencial turístico de Marrocos, o que abre lugar para alguma movimentação incaracterística nos meses de Junho, Julho e Agosto….

Por residir na parte Norte do Reino de Marrocos, teve a oportunidade de aprender o Espanhol. Reza a história que essa zona foi colonizada pelos espanhóis.

“Vamos absorvendo culturas, mas sem esquecer os nossos traços ao ponto de cairmos na aculturação”, disse Débora, para dar a entender que a diversidade constitui o primeiro factor de aprendizagem.

Informou que, durante este confinamento, teve a oportunidade de juntar para si subsídios importantes de arquitectura e designer que lhe serão úteis para responder positivamente aos desafios do futuro.

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