País precisa de 40 mil toneladas de sementes/ano

O director de produção do grupo “Jardins da yoba”, João Saraiva, em entrevista ao programa “Semear” do Ministério da Economia, emitido pela TPA, referiu que o país precisa de 40 mil toneladas de sementes por ano para cobrir mais de 2 milhões de hectares, por esta razão a empresa que dirige aposta na multiplicação de sementes

Este ano, a empresa contou com uma produção de mil e quinhentas toneladas de semente de milho melhorada. Trata-se de uma combinação da variedade híbrida de milho amarelo com duas linhas diferentes, com uma especificidade com determinadas características relevantes para a agricultura local, tendo em conta as variações climáticas.

O trabalho de investigação até à produção durou três anos, pelo que a empresa está a trabalhar  na multiplicação de forma controlada, para obter semente com características adaptadas e nos próximos 10 anos apostar noutras variedades, fortalecendo o acervo genético do país. 

Segundo a fonte, os Jardins da Yoba são membros certificados do Centro Internacional de Melhoramento do Milho e Trigo (CIMMYT), pelo que testam sementes de muitos países da região, multiplicando as sementes híbridas à escala comercial. 

“São experiências que foram já feitas na província nos anos 60 e hoje por um desafio lançado pelas autoridades estamos a efectuar essa multiplicação, através da recepção de linhas parentais sul-africanas”, frisou. 

A semente produzida nos campos de multiplicação, sublinhou, segue para a área de processamento no Lubango, onde o tipo rejeitado vai para o fabrico de fuba, outra para ração animal e a melhor serve para semente, através do tratamento químico e depois embalada.

Afirmou que a Yoba tem também uma componente social, tendo distribuído duas toneladas de sementes de milho a toda vizinhança dos campos de produção, para que eles tenham um rendimento extra, milho de qualidade, assim como criar uma “cortina” para evitar polonização de outras espécies na produção.

O objectivo da aposta, avançou, é concorrer para o estabelecimento de uma reserva filogenética e assegurar os necessários desenvolvimentos científicos que visem o seu aproveitamento económico com estabelecimento de um Catálogo Nacional de Variedades.

De igual modo, o investimento visa também cooperar para uma produção agrícola de qualidade, de forma a garantir a sustentabilidade ambiental dos meios de produção (água e solo) e segurança alimentar para os consumidores (resíduos de pesticidas).

Em 2016, foi seleccionada para o Programa Nacional de Sementes, onde em cooperação institucional/científica com o Instituto de Investigação Agrária (IIA) e o CIMMYT, desenvolve, de forma partilhada e assistida, um programa de melhoramento e selecção de plantas.

O grupo está instalado na Chibia e na Humpata, mais precisamente nas fazendas Chaungo, Mucuma e Maheque.

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