CASA-CE e UNITA dão nota negativa à governação de Rui Falcão em Benguela

Os secretários provinciais da CASA-CE e da UNITA, respectivamente Zeferino Cuvíngua e Abílio Kaunda, são convergentes em afirmar que os três anos de governação de Rui Falcão foram inactivos e aquém das expectativas da sociedade benguelense, mas o visado diz que tem dado o melhor de si

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, completou, em Junho, três anos à frente dos destinos governativos e políticos da “estratégica” província de Benguela. 

Em 2017, face ao clima insustentável que se tinha instalado no Comité Provincial do MPLA em Benguela, por causa daquilo que fontes descrevem como intrigas entre “camaradas”, o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, exonerou Isaac dos Anjos e, em seu lugar, nomeou Rui Falcão, que governava o Namibe, para assumir as mesmas funções nesta província. 

Nesta perspectiva, Rui Falcão começa a definir as estratégias, que passavam pela reunificação de um partido sustentáculo do Governo que se encontrava dividido, até porque se vivia um momento crucial na história do MPLA, com um novo candidato a Presidente da República a despontar, no caso João Lourenço. 

Rui Falcão fez-se à estrada em busca de votos, tendo calcorreado os bairros do interior e do litoral de Benguela. 

Entretanto, segundo fontes do partido, findo o processo eleitoral, as acções mais visíveis do governador e 1º secretário se consubstanciaram em denúncias de má governação dos seus predecessores, a ponto de ter feito a afirmação bombástica segundo a qual os seus companheiros teriam “roubado ao Estado”. 

Segundo fontes governamentais, o inquilino do palácio cor-de-rosa, à Praia Morena, desmantelou vários negócios que ganharam alcunha de “ilícitos”. 

Do lixo ao imobiliário, passando pelo embelezamento das cidades, com uma “polémica” conta diga-se domiciliada no Banco de Comércio e Indústria, a pôr em causa a idoneidade governativa de Isaac dos Anjos. 

De lá para cá, a sociedade olha para a governação de Falcão com muito cepticismo e lamenta o facto de, até agora, não ter garantido o básico (estradas, saneamento, entre outros) à população, como disseram algumas figuras à nossa reportagem. 

A UNITA, na voz do seu secretário provincial, Abílio Kaunda, afirma que, contra todas as expectativas, Benguela deixou de ver os avanços do tempo do governador Isaac dos Anjos, e diz que este terá sido humilhado e mal compreendido pelos seus companheiros de partido. 

“Há muitas situações que precisam de intervenção rápida do próprio Governo. As estradas continuam esburacadas. E estão a reparar as estradas com cimento. Nunca tomei conhecimento de que o cimento servia para fazer estrada”, disse. 

Já a CASA-CE, que tem à testa Zeferino Cuvíngua, considera esta a pior governação de que se tem memória na província em Benguela e justifica que a atitude do governador como pessoa inibe o apoio de alguns segmentos sociais. 

“Nessa atitude de arrogância, acaba por afugentar as forças vivas. Ninguém gere bem sem o apoio dos administrados”, considera. 

O político realça que não há, do ponto de vista objectivo, qualquer projecto de cariz económico, atribuído a Falcão, que dê sustentabilidade à vida económica. 

O lixo da década de 90 voltou 

Uma autoridade tradicional, que não se quis identificar, por temer eventuais represálias das autoridades de Benguela, como o seu colega do bairro das Salinas, qualifica de desastre a actual governação. 

O soba socorre-se do passado para sustentar a tese de que as montanhas de lixo da década de 90 estão de volta. Embora louve o combate à corrupção que o governador encabeça em Benguela, a nossa fonte esclarece que as pessoas não sentem o efeito prático da acção governativa. 

“Administração praticamente nos abandonou. Meu filho, vou só lhe dar um exemplo, no tempo do governador Isaac e do general Armando da Cruz Neto, não havia tanto lixo nas ruas…Olha só as montanhas de lixo no Cavaco”, lamenta. 

Falcão diz que tem dado o melhor de si  

Em resposta às críticas a si dirigidas, o governador provincial disse que olha para Benguela com a mesma serenidade com que chegou, justificando estar a dar o máximo de si para garantir boas condições de vida à população. 

“Temos feito o melhor de nós mesmos para melhorar os níveis de governabilidade e de governação. Benguela hoje não é a mesma, felizmente”, diz o governante. 

O homem forte da província, que se gaba de ter uma melhor equipa governativa, assevera que vai continuar a dar o seu melhor. 

Questionado pelo OPAÍS se não o desconfortava o facto de membros do seu elenco, fundamentalmente administradores, estarem a contas com a justiça em pleno exercício das suas funções, o governante justifica que tal facto tem a ver “com o comportamento de cada um (…) Aqueles que não cumprem as regras ver-se-ão nestas condições”, garante. 

Constantino Eduardo, em Benguela

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