Comissão Multissectorial declara contaminação comunitária da Covid-19 em Luanda

A declaração foi feita ontem pelo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República e Coordenador da Comissão Multissectorial para a Prevenção e Combate à Covid-19, Pedro Sebastião, numa altura em que foram confi rmados mais 35 novos casos e um óbito, elevando a cifra para 27 mortes e 576 infectados

As autoridades angolanas confirmaram, ontem, no CIAM, em Luanda, a existência de contaminação comunitária de Covid-19, apenas na província de Luanda. A confirmação surge depois do diagnóstico de vários casos sem vínculo epidemiológico na província de Luanda, que estavam sob investigação das autoridades sanitárias.

“O seguimento feito nos centros sentinela, nesse período verificamos que não ouve aumento exponencial de casos sem vínculos epidemiológicos, razão pela qual, tomamos a decisão de fazer a testagem em massa em grandes conglomerados em que é previsível uma grande exposição das pessoas, em que as medidas de protecção individual e colectiva não são cumpridas com o rigor necessário”, contou.

No entanto, Pedro Sebastião esclareceu que essa confirmação surge da constatação resultante dos casos positivos registados nos testes aleatórios realizados nos grandes aglomerados populacionais da capital do país, em que muitos tinham vínculo epidemiológico desconhecido.

“Cumpre-nos informar que, de acordo com a análise e os estudos feitos na comunidade, com maior realce na província de Lunda, e observando todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde, já temos a circulação comunitária do vírus Covid-19 no nosso país”, declarou, Pedro Sebastião.

Por sua vez, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, falando também na habitual actualização do balanço diário sobre a pandemia no país, em Luanda, informou que ontem foram confirmados mais 35 novos casos positivos e um óbito.

No que tange as idades e género, Sílvia Lutukuta disse que variam entre os três e os 73 anos, sendo 16 do sexo feminino e 19 do sexo masculino. Na distribuição das localidades mais afectadas por casos apontou Belas, Maianga, Viana e Cazenga.

Sílvia Lutukuta fez saber que estes casos resultam dos rastreios feitos aos centros sentinela, dos casos reactivos da testagem em massa e de contactos de casos positivos que se encontram em quarentena.

Mais um óbito por Covid-19 na clínica Girassol

Em relação ao último óbito, apesar de não revelar a idade, explicou que se trata de um indivíduo do sexo masculino, com várias co-morbilidades descompensadas e teve a intercorrência da Covid-19 e suas complicações e que foi a óbito na clínica Girassol.

“Do ponto de vista de situação epidemiológica nas últimas 24 horas, informamos mais uma vez que já temos situação comunitária do vírus SARS-CoV-2 em Luanda, sustentada numa base científica”, recordou.

Neste momento, o país regista um total 576 casos confirmados, dos quais 27 óbitos, 124 recuperados (+6 do que no dia anterior) e 425 casos activos, dos quais seis requerem cuidados especiais.

Em relação ao laboratório, Sílvia Lutukuta explicou que em relação ao RT-PCR, nas últimas horas atingiu-se a contagem de cerca de 38 mil amostras, ou seja, é o valor cumulativo, entre as quais 576 são amostras positivas.

País com 590 amostras reactivas dos testes em massa

A ministra da saúde fez saber que em relação à testagem em massa que está a ser feita com testes serológicos em todo o território nacional, se está a dar uma atenção especial às síndromes respiratórias agudas-graves, agravamento de doença respiratória pré-existente, agravamento súbito e também outras síndromes febris comprováveis e outras etiologias.

No entanto, disse que por esta altura foram feitos já 15.135 testes, com 590 reactivos. “Estamos em estado de calamidade, com medidas ajustadas com o fi m único de cortar a cadeia de transmissão”, advertiu.

Por outro lado, e olhando para a circulação comunitária, apelou a todos os cidadãos a cumprirem todas as medidas de protecção individual e colectiva.

“Não queremos espalhar o luto e dor nas nossas famílias, as pessoas que fazem parte do nosso eu e de todos os angolanos. Esta batalha precisa muito de nós e precisa que nós cumpramos todas as medidas, usar a máscara, lavar as mãos com água e sabão, usar o álcool- gel quando possível, o distanciamento físico é muito importante”, alertou.

Recordou que a doença é transmitida de pessoa a pessoa, contacto com as superfícies, aerossóis que são libertados pelas pessoas infectadas pela boca e pelo nariz e, por está razão, “nós temos de usar a máscara. Chamamos todos os angolanos para esta luta com o inimigo invisível, mortal, de fácil propagação e não devemos baixar a guarda”, frisou.

Salientou que qualquer pessoa à nossa volta pode estar infectada, sem sintoma ou sem nenhuma queixa.

Hoje chegam ao país cidadãos provenientes do Brasil

Sílvia Lutukuta disse que continua o repatriamento de cidadãos angolanos do exterior e que hoje chegam ao país angolanos provenientes do Brasil e que vão cumprir o período de quarentena institucional.

“Estamos a reforçar as medidas de saúde pública. Temos que trabalhar mais na prevenção e continuarmos a trabalhar nas medidas de assistência hospitalar, mas não podemos também terminar sem esclarecer que houve dois casos provenientes de Luanda em Cabinda”, revelou.

No entanto, a ministra da saúde esclareceu que estas duas pessoas foram prestar serviço em Cabinda, com quarentena obrigatória e durante esse período foram rastreados e tiveram resultados positivos.

“Estes casos, de ponto de vista epidemiológico, não pertencem à província de Cabinda, mas sim à província de Luanda. Eles já estão a ser tratados em Luanda contra a Covid-19. Juntos somos mais fortes e esta luta é de todos nós”, disse.

Taxa de mortalidade por Covid-19 preocupa Comissão

O número de mortes por Covid-19 tem aumentando e isso preocupa os cidadãos, questionada sobre o assunto, Sílvia Lutukuta reconheceu que também estão preocupados com a taxa de mortalidade elevada.

“Queremos dizer que também estamos preocupados, temos estado a trabalhar com as nossas equipas multidisciplinares. Estamos a reforçar as nossas equipas de atendimento aos doentes críticos, mas também há a dizer que por vezes há algum atraso, o doente vem tarde, crítico, ou já tem a sua co-morbilidade descompensada, tem a sua diabetes descompensada, hipertensão descompensada, tem sua doença respiratória”, frisou

Ministra apela ao cumprimento das medidas depois do anúncio da circulação comunitária

A ministra da saúde, Sílvia Lutukuta, explicou que sobre a circulação comunitária, “nós já nos antecipamos e regredimos em algumas medidas, mas pedimos encarecidamente que haja um cumprimento cabal de todas as medidas de proteção individual e colectiva, porque é ali onde estará a salvação de todos os angolanos”, lembrou.

Segundo Sílvia Lutukuta, os doentes recuperados fazem um tratamento de acordo a vários protocolos. “Nós adoptamos inicialmente e até agora é discutível o protocolo da Cloroquina e Azitromicina, mas há outros, como os antirretrovirais, são vários também”, frisou.

No entanto, disse que vários países estão a usar um ou outro, mas isso tudo tem a ver também com aspectos genéticos. Portanto, o medicamento só é dado enquanto estiver com a doença activa.

Quando passa para caso recuperado já não faz medicação, tem apenas que ser acompanhado. Em relação ao cidadão do Cuanza-Norte que faleceu no Hospital Militar de Luanda e cuja família até agora aguarda pelos testes, prometeu averiguar com as equipas para saber, de facto, o que está acontecer e, ainda assim, provavelmente terão de fazer uma nova testagem, por ter passado muito tempo (desde o dia 19 do mês passado).

Sobre a probabilidade dos casos assintomáticos cumprirem quarentena domiciliar, a ministra da Saúde explicou ser uma medida tomada em determinados países muito desenvolvidos e em que a literacia de saúde tem um nível aceitável e há maior cumprimento.

No entanto, disse que se tem de olhar para nossa situação real, o nível socioeconómico, as condições de acomodação de uma franja muito importante da população e, também, o perfi l da pessoa infectada, bem como do conhecimento da família, porque muitos domicílios têm grandes agregados e sem condições para isolar alguém num espaço individual.

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