Violação da cerca sanitária de Luanda alarma Benguela

As autoridades sanitárias na província de Benguela manifestam-se preocupadas com as constantes violações da cerca sanitária imposta à capital do país e sugerem que se inverta o actual quadro de emissão da declaração que permite a circulação de pessoas

A província continua a registar entradas de pessoas não autorizadas provenientes de Luanda, que se encontra sob cerca sanitária, revelou, a OPAÍS, uma fonte do Governo provincial.

Explicou que a preocupação teria sido manifestada pelo governador de Benguela, em sede de uma das reuniões de rotina da Comissão Provincial de Prevenção da Covid-19, de que Rui Falcão é coordenador.

De acordo com a nossa fonte, o facto de, além da Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19, os gestores de alguns departamentos ministeriais estarem igualmente a emitir declarações de autorização de saída da cerca sanitária, estará a causar enormes constrangimentos, pois muita gente se tem refugiado nos municípios do interior.

Por isso, continua a fonte, Rui Falcão, valendo-se dos poderes que a lei o confere, orienta as forças de segurança a não permitirem a entrada de qualquer pessoa que não tenha sido autorizada pela Comissão liderada pelo general Pedro Sebastião, ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República.

Segundo a nossa fonte, nos próximos dias, Rui Falcão deverá abordar o assunto com a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, alertando- a para o perigo que a província corre.

A posição do governador é sustentada com o facto de a província de Luanda estar a registar vertiginosamente casos de Covid-19 e sugere que não haja contemplações.

Rui Falcão pretende manter a ideia que as autoridades centrais têm relativamente ao rigor nos postos de controlo, com destaque para o da Canjala, que até mereceu elogios da ministra Sílvia Lutukuta, pela sua eficiência.

Por sua vez, o porta-voz da Comissão Provincial para Combate à Pandemia da Covid-19, Manuel Cabinda, refere que a província recebeu das estruturas centrais mil testes rápidos, tendo sido já realizados 118.

O responsável dá conta de que, neste momento, 40 das 50 pessoas que cumpriam quarentena institucional receberam alta.

De acordo com o Manuel Cabinda, procede-se à testes rápidos em pessoas de risco e nas que se encontram em quarentena domiciliar, visando controlar possíveis casos reactivos.

Porém, a situação epidemiológica na província, garante, é, deveras, estável.

“Como devem perceber, em função da situação epidemiológica e dos números que temos estado a observar em Luanda, preocupa-nos a circulação que temos estado a ver entre Benguela e Luanda, fundamentalmente de camionistas, o que nos cria alguns problemas no controlo efectivo da situação”, considera.

Cabinda manifesta-se também profundamente preocupado com o facto de alguns cidadãos estarem a furar a cerca sanitária de Luanda e a refugiar-se nos municípios do interior de Benguela.

Manuel Cabinda refere que a comissão está a trabalhar no limite das suas capacidades para suportar as pessoas em quarentena institucional, envolvendo alimentação diária, desinfecção dos locais e roupas e higiene pessoal, porém, avisa que as pessoas que insistirem em violar a cerca vão assumir – elas próprias – as suas despesas.

Constantino Eduardo, em Benguela

error: Content is protected !!