Etona homenageia mulher africana com exposição “Cegueira da justiça”

A mostra é composta por uma escultura, que se assemelha à deusa grega da justiça ‘Temis’, com os olhos vendados. Nela o artista pretende juntar forças úteis para engrandecer a figura da mulher africana, para os desafios relacionados com o desenvolvimento do continente “berço”

O artista plástico António Tomás Ana “Etona” homenageia a Mulher Africana na sua data, 31 do corrente mês, com uma exposição de escultura intitulada “Cegueira da justiça”, que será realizada na zona do tanque do município de Cacuaco, junto à berma da estrada, nos carris da antiga da linha férrea, em Luanda. 

Trata-se de uma escultura que se assemelha à deusa grega da justiça ‘Temis’, com os olhos vendados, obra que possui 3 metros e 60 centímetros de comprimento, 2 metros e 70 de altura e 2 metros e meio de largura, que ficará patente no período de oito dias. 

“Justamente, como vai estar ao ar livre, um museu aberto, daí que estamos a falar de uma escultura de grande dimensão. É uma peça com uma certa imponência, que é para cobrir aquela vontade, a sede de termos monumentos com essa densidade. Como não temos, esse começa a ser o processo para se pensar no desenvolvimento da cidade, através da filosofia da arte”, disse o artista, em conversa com OPAÍS. 

Com a presente obra, o escultor pretende chamar a atenção dos cidadãos, no geral, que de alguma forma fazem justiça, ao ‘condenarem’ os governantes, os pais, filhos, irmãos e outros que muitas vezes ao fazerem-no não têm a percepção do lado onde está a razão.  

Referiu ainda que pelo facto de a inauguração ocorrer no Dia da Mulher Africana (31 de Julho), que considera praticamente como a ‘deusa’ africana, pretende juntar forças úteis para engrandecer ainda mais aquilo que é a figura da mãe, da avó, da irmã, da filha, para os desafios relacionados com o desenvolvimento do continente “berço”. 

“E se formos aos locais de direito, veremos que ela está sempre com os olhos vendados, a fim de chamar atenção de quem faz justiça, que não pode estar com os olhos abertos, porque senão fará uma justiça em termos de diplomacia, onde o melhor é aquele que lhe convém”, ressaltou. 

Homenagem

Relativamente à homenagem, o profissional referiu que a mesma corresponde com a fase em que vivemos, que tem a ver com a pandemia da Covid-19 que, segundo ele, ressalta alguma atenção em relação aos cuidados que as mulheres têm tido ao tratar dos cidadãos (pai, esposo, filhos e irmãos).

“Conforme tenho dito, o homem nunca cresce, mas a mulher começa a crescer a partir dos 10 anos. Ela cuida-nos e nos dá alimentos. Então, esse exercício é preciso também ser enaltecido, para que amanhã o futuro seja mais garantido, com uma certa confiança, independência e segurança”, exaltou.

Exposição itinerante

A referida exposição, de carácter itinerante, enquadra-se no projecto que o artista pretende prosseguir nos municípios do Cazenga, Viana e de Luanda, com a exibição de diferentes obras.

Sobre o plano, Etona realçou que no final, deseja realizar uma grande exposição no município de Luanda, com 15 a 20 esculturas de grande dimensão, a fim de mostrar o crescimento do país, consubstanciado na parte de esculturas artísticas”, disse.

Com o presente plano, o artista almeja também proceder a uma “vigília cultural”, através da mostra em lugares de grande movimentação populacional, com o intento de buscar um barómetro de medição sobre a maneira que os cidadãos apreciam a arte, e também o que pensam dela, trabalho este que será desenvolvido em parceria com o Instituto Superior Tocoista e o Metropolitano.

“Só o facto de termos as universidades dá-nos uma potência de que queremos mais, aquilo que a sociedade pode dizer neste momento, do que ainda se reserva, não só da religião, mas também da cultura e da arte”, terminou.

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