Os advogados de Benguela

Depois do caso do advogado Eugénio Marcolino, que recebeu ordem de prisão numa esquadra, em Benguela, o que motivou uma mobilização geral dos advogados do país, com marchas e leitura de manifestos, tudo porque, segundo os seus colegas, foi detido quando exercia as suas funções e por isso gozava de imunidades reconhecidas pela lei, esperar-se-ia que viesse a paz na relação dos advogados com os poderes da justiça. Mas não.

Esta semana, mesmo no início, o advogado António da Cruz, também na cidade de Benguela, denunciou o impedimento de contactar constituintes seus, detidos, num caso de peculato que envolve o administrador municipal do Balombo. O senhor “ordens superiores” teria agido, segundo ele.

Na Quinta-feira, Francisco Viena, também advogado e que foi o líder provincial da força política CASA-CE, foi detido por ordem de um juiz, no tribunal de Benguela. Também estava em exercício das suas funções, alegaram os colegas e, portanto, também gozaria de imunidades.

Há uma espécie de guerra em Benguela, com advogados de um lado e juízes, polícias e procuradores como uma espécie de adversários.

Óbvio que não se quer que eles andem enamorados e aos abraços. Mas também não é necessário que a tensão suba de tom, até porque com tal crispação, seguramente quem perde é o cidadão, que precisa de ter a seu favor um sistema funcional e que se limite a observar a lei e a justiça, longe das disputas pela autoridade, pela vaidade e por outros quejandos mais de umbigos pessoais.

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