Discotecas fechadas, estrelas do Big Brother e outros reality shows em crise

A pandemia está a fazer retardar a abertura de bares e discotecas. Vista durante anos como uma das fontes de rendimento imediatas à saída de um “reality show”, as alternativas agora são outras. Trabalhar “a sério” é incontornável

Após meses de reclusão, as saídas dos concorrentes de reality shows eram frequentemente pontuadas por noitadas longas em espaços nocturnos onde as novas estrelas faziam as chamadas “presenças”.

Espaços onde, a troco de três a cinco mil euros, as personalidades mais mediatizadas na televisão estavam duas a três horas a confraternizar, a dar autógrafos, a deixarem-se fotografar ao lado dos fãs, tudo enquanto sorriam e erguiam um copo.

Com maior ou menor fortuna, os anónimos que se tornaram célebres e os famosos que reforçaram a sua projecção na TV prestaram este tipo de serviços logo após a saída da casa mais vigiada do país, fosse ela Big Brother, Casa dos Segredos e outros tantos similares, e encaixaram rendimentos.

Mas e agora, como vão estes novos concorrentes deste reality show em exibição na TVI fazer um pé de meia se os espaços nocturnos estão fechados devido à pandemia? “Mesmo que estivessem abertos, estes participantes já não fazem o dinheiro que fizeram os primeiros”, diz Cristina Paiva.

Responsável pelo agenciamento de concorrentes de reality shows, esta assessora lembra que duas horas podiam chegar a valer “5 mil euros”. Porém, tratava-se – e trata-se ainda hoje – de um trabalho a muito curto prazo que decorre de “uma fama que dura, no máximo, seis meses”, sendo que”ser famoso não é trabalho”.

Por isso, prossegue, “resta a estes participantes aproveitar o know how que ganharam, as revistas, as entrevistas e direccionar toda essa comunicação para o trabalho que vão querer fazer”, aconselha.

Teresa Guilherme, rosto incontornável dos reality shows em Portugal, vinca que este tipo de encaixe financeiro imediato há muito que deixou de ser chão fértil para as recém-celebridades. E, nesta fase, com os espaços fechados devido à Covid-19 ainda mais. “Não há presencial, vamos para o online”, atira a apresentadora.

“Não há discotecas, há outras coisas, há directos nas redes sociais. Quem sai pode ser comentador, pode ser influencer, há muita maneira de ganhar dinheiro, mas, em qualquer dos casos, vai ser preciso ter ideias e trabalhar muito, esta gente trabalha imenso”.

Joana Diniz, uma das participantes de Secret Story4 (2013), há muito que tem vindo a consolidar a sua presença no online e é por aqui que tem feito dinheiro e carreira. Contudo, não esconde: “Não há segredo, eles têm é de trabalhar. Eu, uma semana após ter saído, estava a vender peixe no mercado outra vez. Depois, fui construindo o meu percurso”. “Que voltem aos trabalhos deles e depois comecem”, aconselha.

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