Fábrica de concentrado de tomate “inerte” no Dombe Grande

A comuna de Dombe Grande, província de Benguela, continua privada dos serviços das unidades fabris de processamento de tomate, de recipientes (latas) e de um entreposto (armazém), seis anos depois da conclusão das obras pelo Governo

O empreendimento, equipado com tecnologia de ponta, tem uma capacidade instalada de produzir 5 mil quilogramas por hora e previa, numa primeira fase, assegurar pelo menos 20 postos de emprego directos, com recurso à força de trabalho local.

A construção das fábricas resulta de um “grito de socorro” dos agricultores locais, para fazer face à perda de grandes quantidades de tomate, registada regularmente, por falta de escoamento.

Conforme o administrador comunal do Dombe Grande, Edgar Baptista, é factual que as unidades fabris estão concluídas e apetrechadas, com equipamentos modernos, há exactos seis anos.

Entretanto, justifica a não abertura das mesmas, entre outras razões, com o facto de ainda haver problemas com o fornecimento de energia da rede pública nesta localidade.

Até ao momento, as unidades fabris, alimentadas por grupos geradores, bem como o entreposto, estão sob tutela dos órgãos centrais do Governo, ou seja, do Ministério da Agricultura e Pesca.

Aquele departamento ministerial respondeu à solicitação da população local e construiu o complexo industrial, que continua, até ao momento, de portas fechadas, realidade que os camponeses criticam.

“Chegaram a ser feitos alguns ensaios, encontrando-se, neste momento, armazenadas algumas quantidades de latas já com rótulos”, informa Edgar Baptista.

O gestor público afirma que o empreendimento faz muita falta à comunidade, na medida em que poderia empregar jovens e ajudar os agricultores por altura da fartura de tomate.

Declara que seria dispendioso pôr as fábricas a funcionar sem energia da rede, sublinhando, entretanto, que a “entrada em cena” das unidades permitiria acelerar a instalação da rede pública nos arredores.

“Quem sabe se, com a fábrica a funcionar, esta não poderia gerar recursos para facilitar a transportação da energia da rede pública até aqui?”, indaga.

De igual modo, diz que a energia facilitaria também o desenvolvimento de outros sectores, como o hoteleiro e o agrícola, ajudando a reduzir os custos na região.

Entretanto, alguns agricultores ouvidos pela ANGOP afirmam que se trata de iniciativas capazes de estimular a produção de tomate e criar postos de trabalho, sobretudo para juventude.

Segundo Domingos Rafael, presidente da Associação Ongunja (cooperativa com 50 filiados e 300 hectares), a produção de tomate sempre foi um dos grandes trunfos da região.

Reconhece, no entanto, que nos últimos anos a mesma tem baixado, devido à praga Tuta Absoluta.

Ainda assim, refere que Dombe Grande continua a produzir muito tomate e caso a fábrica estivesse em funcionamento, muitos agricultores poderiam apostar no incremento da sua produção.

Actualmente, diz, a produção agrícola na comuna é bastante diversificada, com destaque para o tomate, cebola, pimento, milho, mandioca, batata-doce, entre outros produtos.

Lamenta o facto de haver muitos jovens desempregados na localidade, enquanto um empreendimento construído com dinheiro do Estado, há seis anos, continua fechado e sem retorno do investimento.

“Ninguém diz nada sobre a fábrica, acredito que o material colocado vai estragar”, alerta.

Já o agricultor Luís Fernando apela às autoridades para tomarem posição sobre a abertura da fábrica, de modo a recuperar-se o dinheiro investido na sua construção e ajudar no desenvolvimento da comuna.

Segundo o produtor, várias comitivas do sector da Agricultura já estiveram na localidade e fizeram vários levantamentos, mas nem com isso a fábrica começou a produzir.

“Já perdemos muita produção de tomate aqui, por falta de escoamento ou de local para a sua conservação. Caso a fábrica estivesse em funcionamento, as perdas seriam mínimas e teríamos mais ânimo para aumentar a produção de tomate”, desabafa.

O agricultor pede às autoridades afins que façam uma reavaliação do estado das unidades fabris, para que seja aberta o mais breve possível.

“Além do tomate, essa fábrica poderia, se calhar, ajudar a conservar outros produtos”, comenta. A população da comuna de Dombe Grande, com uma extensão territorial de 2.177,2 quilómetros quadrados, está estimada em 41.434 habitantes distribuídos por sete povoações, 13 bairros e 12 aldeias, e na sua maioria dedica-se à agricultura e pecuária.

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