Filipe Mukenga agradece pelos momentos de homenagem no show de cariz solidário “Por Angola”

O músico angolano Filipe Mukenga agradeceu, ontem, os vários momentos de homenagem no show solidário denominado “Por Angola”, promovido pela Associação Angolana de Profissionais e produtores de Eventos e Cultura (APPEC), no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, que foi transmitido em directo pela TV Zimbo e nas plataformas digitais da Platinaline

Durante o show multi-cultural que decorreu das 16 horas até às 19, foi apresentado um vídeo sobre a vida e obra do artista, que mostrou várias imagens de eventos com o músico, momentos vividos por ele em diversas etapas da sua carreira, como forma de homenageá-lo nesta que foi a primeira actividade da associação criada em Abril do ano em curso. 

Para além disso, a APPEC ouviu depoimentos de vários artistas sobre o percurso de Mukenga, que foram seguidos por ele durante o evento. Nesta senda, o músico Paulo Flores reconheceu o grande contributo do homenageado no engrandecimento da música angolana, através das suas composições e melodias, que, segundo ele, encantam o mundo e marcaram gerações. 

O músico cabo-verdiano Tito Paris, a partir de Lisboa, Portugal, também enalteceu o trabalho do artista, que considera digno de ser seguido. Nesta senda, a cantora Yola Semedo teceu algumas palavras de consideração ao músico, que muito admira, pela sua personalidade e musicalidade. 

Yuri da Cunha não esteve de fora deste quadro, assim como o músico Mito Gaspar, que disse admirar o artista pela temática musical, que o caracteriza. Calabeto e Filipe Zau também felicitaram Mukenga e incentivaram-no a porsseguir com o seu trabalho. 

Quanto aos depoimentos, Mukenga disse tratar-se de pessoas amigas com que algumas vezes partilhou o palco em determinadas actividades, em momentos de camaradagem e de música. “Estou emocionado ao ouvir essas belas palavras, de músicos que são meus amigos. Por isso, agradeço pelo incentivo e reconhecimento do meu trabalho, essas palavras que enal- tecem a minha música”. 

Outros momentos 

Entre os momentos de homenagem consta ainda a entrega do troféu da APPEC ao músico, pelo artista Big Nelo, em prol dos seus anos de trabalho desde a década de 60, o seu contributo no engrandecimento da música angolana, a sua musicalidade de sucesso no país e no exterior, e pelo carisma ante artistas e o público. 

Emocionado com a homenagem, Mukenga agradeceu cada momento, que considerou marcantes na sua carreira. “É mais uma grande homenagem feita pela sociedade civil. Essas homenagens devem acontecer enquanto estamos vivos. À título póstumo é muito diferente. Estou muito emocionado. Agradeço à APPEC que se lembrou de Filipe Mukenga para estar aqui, neste Por Angola”, exaltou. 

Neste show em sua homenagem, o músico subiu ainda ao palco e brindou os telespectadores e internautas com os seus temas musicais de sucesso, entre eles “Balabina”, “Lemba”, “Ndilokewa”, “Carnaval”, acompanhado pela Banda Maravilha. Durante a interpretação da canção “Minha terra, terra minha”, o músico foi acompanhado pelo grupo de dança, Kina Ku Mixi. 

Houve ainda a actuação de músicos convidados, como Ivan Alekxei, que interpretou o seu tema musical “Meu kota”, Sandra Cordeiro, com ”Athu mu Njila” de Mukenga, Kizua Gorgel e Jorge Semedo, que ao som das suas guitarras cantaram a música “Nvula”. A cantora Katiliana interpretou a canção “Mulogi”, Anabela Aya entoou um dos seus temas de sucesso, enquanto o kudurista Agre G apresentou alguns dos seus temas musicais também. 

Show multicultural 

O show “Por Angola”, que aconteceu sem público, considerado multicultural, juntou várias disciplinas artísticas, como o teatro, as artes plásticas, literatura, a moda e a gastronomia, com o objectivo angariar donativos que serão convertidos em cartões de compras numa cadeia de supermercados para apoiar instituições de caridade e beneficência, bem como os fazedores de cultura e demais intervenientes do sector de cultura e eventos que estão sem trabalho nesta fase em que se vive a pandemia da Covid-19. 

Durante o show, vários foram os cidadãos que se solidarizaram com a causa e fizeram doações de bens e valores monetários. 

O teatro 

O teatro foi representado pelo grupo Cena Livre, que amostrou a peça intitulada “Ingratos”, em que dois actores deficientes físicos abordaram alguns dos problemas que ‘vivem’ no seu dia-a-dia, mas de forma bem-humorada. Walter Cristóvão, membro da Comissão Instaladora da APPEC, que representa a área de teatro e dança, disse tratar-se de uma peça que em 2016 foi considerada o melhor espectáculo de teatro pela classe. 

Disse ainda a este jornal que que está satisfeito com o pontapé de saída da associação, que mostrou em parte o que serão as suas actividades solidarias. Referiu que o projecto surgiu no momento certo, por incluir várias disciplinas artísticas no mesmo espaço, assim como os demais contribuintes da cultura e arte. 

 Artes plásticas 

Guilherme Mampuya, em companhia de um dos seus ‘discípulos’, David Ndombele, produziram dois quadros de pintura acrílica sob tela, um deles com o rosto de Mukenga e o outro inspirado na música “Umbi, umbi” de Mukenga, onde perspectiva e os bons momentos que o projecto trará aos artistas. As referidas obras têm por finalidade a comercialização, cujo valor servirá para apoiar a causa. 

Gastronomia 

Ricardo Helton, chef de cozinha, que tem prestado os seus serviços em vários eventos do género, nesta actividade confeccionou hambúrgueres para os presentes. Enalteceu a iniciativa, que considerou inédita, pela fusão de exibições. 

Literatura 

A escritora Kanguimbu Ananaz, ao som do violão, com Ricardo, declamou a poesia intitulada “Fogo e ritmo” do ‘Poeta Maior’, que ressalta aspecto do continente africano. 

Stand Up Comedy 

O humorista Gilmário Vemba, apresentou algumas cenas baseadas nas canções do homenageado, Filipe Mukenga. O humorista agradeceu a organização pelo convite.  

Moda 

A estilista renomada Soraya da Piedade apresentou a sua colecção denominada “Fast Fafhion”, composta por roupas com várias cores, entre fatos e vestidos. Durante o acto, as manequins desfilavam ao som de música electrónica com os D’js 3 Aves, e também ao som do saxofonista Nanuto. 

O evento foi apresentado pelo coordenador-geral da APPEC, Kayaya Júnior, e Karina Barbosa, membro da Comissão Instaladora da associação. O coordenador-geral da APPEC, Kayaya Júnior, durante o evento disse que para si é importante estar com vários profissionais da área de espectáculo, tendo ainda agradecido os artistas e profissionais que apoiaram a iniciativa. 

A APPEC

O projecto criado em Abril (18) foi apresentado este mês pela Comissão Instaladora.

Actualmente possui mais de três mil membros no país, entre artistas, técnicos, casas de espectáculos, apresentadores, jornalistas culturais, influenciadores, seguranças de eventos, empresas organizadoras, produtoras, promotores e prestadores de serviços para eventos.

Entre os interesses a serem defendidos perante o mercado e as entidades institucionais e órgãos públicos, consta o reconhecimento, valorização e respeito a actividades como organização, produção e prestação de serviços em eventos culturais.

A associação pretende ainda apostar no profissionalismo dos membros, com a realização de acções formativas, dos mais variados sectores, como de educação financeira e gestão de carreira, para que possam gerir, render e suster as suas carreiras, para assim acudir situações precárias que possam advir no seu trajecto profissional.

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