Viana gastou 16% dos 150 milhões de Kz disponíveis para o combate à pobreza

Apesar dos 150 milhões Kz disponíveis, resultante também do acumulado do ano passado, o Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP) em Viana está com um ligeiro atraso na sua execução, por ter sofrido um processo de restruturação, por um lado e, por outro, a situação de Covid, com a dificuldades para se conseguir determinados materiais. As oscilações dos preços dos mesmos não são descartadas

O município de Viana este ano tem orçamentados 280 milhões e 27 mil e 658 Kwanzas para serem aplicados no Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP), com uma previsão de 70 projectos a serem executados, 16% estão em execução, segundo o administrador municipal, Fernando Manuel, em entrevista exclusiva ao OPAÍS.

Depois de uma reunião conjunta com os Ministérios das Finanças, da Administração do Território e MASFAMU, a administração de Viana resolveu fazer uma restruturação do referido programa, tendo chegado à conclusão de que a forma como estava a ser executado não era a mais correcta.

“Não obedecia aos eixos que estavam superiormente orientados. Durante os primeiros meses deste ano, definimos os projectos, submetemos para a aprovação superior e depois de aprovados são executados”, disse.

O processo de restruturação levou praticamente todo o primeiro trimestre e parte do segundo, de acordo com a entidade máxima de Viana, agravado com as restrições da Covid-19, o que fez com que acumulassem (já com o remanescente do ano anterior, que nãos tinha sido concedido por insuficiência orçamental) 150 milhões de Kz.

“Gastamos 16%, como disse, e o restante do valor está connosco e vamos gastar à medida que se vão aplicando os projectos”, reforçou.

Formação de 80 parteiras tradicionais

Fernando Manuel, revelou que para o presente ano, o município de Viana tem 280 milhões e 27 mil e 658 kwanzas para serem aplicados no programa de desenvolvimento e combate à pobreza. Fez questão de recordar que o programa incide no fomento da agricultura familiar, pesca e pecuária, promoção do gênero e empoderamento da mulher, apoio de as acções de cidadania, celebração de datas comemorativas, cuidados primários e acesso à saúde, merenda escolar, construção e reabilitação de infra-estruturas e alguns encargos administrativos com o próprio programa.

No que toca aos cuidados primários de saúde, a Administração prevê aplicar cerca de 78 milhões e 286 mil Kwanzas, que serão para além de aquisição de medicamentos e materiais gastáveis, para o empoderamento dos activistas sociais sobre as doenças endêmicas, palestras sobre o aleitamento materno, planeamento familiar e higiene corporal.

Serão também investidos na formação de 80 parteiras tradicionais, apetrechamento de salas de planeamento familiar, de 10 unidades sanitárias, capacitação de técnicos de programas alargado da vacinação, expansão da luta anti-vectorial, aquisição de antimaláricos, tendo em conta que é a principal causa de morte no município de Viana.

Prevêem ainda beneficiar 131 famílias, em formação de pastelaria, corte e costura, canalização, carpintaria, electricidade, pedreiro, ladrilhador, pintura, estocagem e serralharia. Depois de terminarem a formação serão entregues quites para trabalharem na área em que foram capacitadas. Para atingir os objectivos preconizados se prevê implementar 16 milhões de Kwanzas.

Este ano se prevê executar cerca de 70 projectos

Segundo o administrador municipal Fernando Manuel, cerca de 70 projectos serão implementados em Viana à margem do programa de desenvolvimento local e combate à pobreza, assim que forem devidamente desenhados, de modos a evitar execução de acções de forma empírica.

Para além das outras áreas que o programa engloba, priorizaram as acções de fomento da agricultura familiar, a pesca e pecuária, promoção do gênero e empoderamento da mulher e os cuidados primários de saúde.

É assim que pretendem, no âmbito do fomento à agricultura, pesca e pecuária, no presente mês, fazer a entrega de alguns meios de trabalho a população, sobretudo na comuna de Calumbo, local onde a actividade da agricultura, pesca e pecuária se realiza com maior realce.

Nesta zona, a população vai receber moto-bombas, mangueiras para irrigação, sementes, bem como construir três represas. No que toca a pesca, a Administração entregou, aos marceneiros indicados pelos pescadores, os materiais necessários para a construção de chatas, e dentro de 15 dias o trabalho será concluído e entregue aos beneficiários.

Quanto aos cuidados primários de saúde, Fernando Manuel frisou que foram feitas algumas aquisições de meios gastáveis, medicamentos e utensílios de necessidade urgente nas unidades hospitalares, no sentido de melhorar a assistência sanitária, bem como para a realização de algumas acções preventivas.

Oscilações de preços entre as dificuldades

Fernando Manuel disse que não têm dificuldades de encontrar empresas sérias, mas empresas capazes de fazerem uma gestão que se adeque ao contexto actual, em função da desvalorização contínua da moeda nacional, que faz com que os preços dos produtos se alterem constantemente.

Explicou que no período da elaboração dos projectos com base no orçamento em que é disponibilizado tem um número e no momento em que se efectivar o pagamento dos meios o preço altera, já que muitas empresas dependem das importações.

Viveram esta realidade recentemente, quando fizeram o orçamento da aquisição de embarcações deu para 18 e no acto do pagamento viram reduzidos os meios para 15.

Por outro lado, o administrador Fernando Manuel entende que o programa de combate à pobreza não beneficia apenas um grupo de cidadãos, mas pode haver um circuito financeiro, com efeito multiplicador, que venha a beneficiar não apenas uma parte da sociedade, mas duas ou três.

Como exemplo, explicou que os pescadores seriam um grupo beneficiário do programa, mas a este incrementou- se os marceneiros, e a população em geral que viria a adquirir o produto final (o peixe), o que propicia uma redução do preço.

Quanto aos camponeses, ao potenciá-los com as sementes dos produtos que mais são cultivados na localidade, os cidadãos iram registar aumento da oferta e, consequentemente, baixa do preço dos produtos.

A ideia, finalizou, é que o programa abranja mais de um grupo beneficiário.

Romão Brandão e Stela Cambamba

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