As expectativas dos empresários sobre a evolução da economia no Iº trimestre 2020

A propagação da COVID-19, em 2020, tem pressionado ainda mais o cenário macroeconómico desafiante de Angola, enquanto, a definição, por parte do Governo, de medidas que limitam a mobilidade das pessoas e o encerramento parcial de algumas actividades económicas – para minimizar a propagação da doença- têm contribuído para a redução do consumo e a produção, o que se tem reflectido sobre as expectativas da evolução da economia por parte dos empresários

Com efeito, o Indicador de Clima Económico (ICE), que representa as expectativas dos investidores sobre o desempenho da economia no curto prazo, fixou-se -16 pontos no Iº trimestre de 2020, que representa uma redução de 12 pontos em comparação ao trimestre anterior. A percepção da evolução da economia para os próximos tempos corresponde ao menor desempenho desde o IIº trimestre de 2017, sendo que os registos negativos do indicador têm sido apurado desde o IIIº trimestre de 2015, quando se fixou em -9 pontos.

Destaca-se que o melhor registo situou-se em 31 pontos e ocorreu no IIº trimestre de 2009, enquanto o menor nível, de -34 pontos, registou- se no IIº trimestre de 2016, períodos em que o preço do Brent referência para as exportações de petróleo de Angola fixou-se em 69,3 USD/barril e 49,68 USD/barril, respectivamente.

No entanto, ao longo do último ano, as perspectivas dos empresários registaram ligeira melhoria e o ICE apresentou uma evolução positiva, ao expandir 5 pontos, tendo passado de -9 para -4 pontos, entre o primeiro e último trimestre de 2019. A trajectória referente ao ano transacto reflectiu a perspectiva de recuperação da economia, em consequência das estratégias adoptadas, de melhoria da concessão de crédito à economia, melhor alocação da moeda estrangeira, tal como medidas implementadas com suporte do Fundo Monetário Internacional.

Para 2020, as expectativas sobre o crescimento da economia foram revistas em baixa de forma significativa, com o Governo a prever uma contracção de 3,6%, quando inicialmente apresentou uma perspectiva de expansão de 1,8%. Paralelamente, o sector petrolífero deverá apresenta uma trajectória aquém das expectativas com o preço do crude a reduzir 66%, ao variar de 66 USD/barril no último trimestre de 2019, para 22,74 USD/ barril no Iº trimestre de 2020, segundo a Bloomberg.

Por conseguinte, a queda no preço do petróleo poderá condicionar a arrecadação das receitas fiscais do Estado o sector petrolífero mantem-se como a principal fonte de captação de receitas em moeda estrangeira para o país, o que se poderá traduzir numa maior pressão sobre as Reservas Internacionais Líquidas, com impactos sobre a evolução do mercado cambial e nos custos dos produtos importados.

De forma desagregada, os sete sectores analisados no ICE apresentaram reduções em termos trimestrais, sendo que o sector da Construção (-20 pontos), Comércio (-13 pontos) e Indústria Transformadora (-13 pontos), ao se fixaram em -48, -43 e -24 pontos, respectivamente, destacaram-se ao apresentarem as maiores reduções.

A análise genérica revela que, os principais constrangimentos caracterizaram- se pela insuficiência da procura, os preços de venda demasiado elevados e frequentes avarias mecânicas. Por outro lado, referencia-se que o sector da Comunicação representa o único sector que mantém um desempenho positivo desde o IIIº trimestre de 2016, quando se fixou em 9 pontos, sendo que fixou-se em 28 pontos no Iº trimestre do ano corrente.

Os sectores mais pressionados caracterizam-se por uma significativa componente de importações, o que poderá reflectir as limitações na disponibilidade de divisas e contínua depreciação cambial.

Por outro lado, destaca-se que o crédito concedido pelo sector bancário aos sectores da Construção, Comércio e Indústria Transformadora no Iº trimestre de 2020 registou variação trimestral de 3,5%, 3,7% e -7,9%, respectivamente, que representam o destino de 13,04%, 22,12% e 7,24%, do crédito total de 5.093,27 mil milhões Kz concedido no Iº trimestre de 2020.

Contudo, o ICE do ano corrente poderá ter a trajectória descendente minimizada em consequência das estratégias de mitigação dos impactos da COVID-19, em curso desde o segundo trimestre de 2020, o pacote de estímulos económicos, financeiros e monetários, num montante total de aproximadamente 589,65 mil milhões Kz.

O Pais

Deve ver notícias

error: Content is protected !!