Radialista Adão Filipe nega ter desviado USD 35 mil de patrocínio do álbum de Mirol como este alude

Adão Filipe revela que recebera apenas USD 12 mil e estes foram gastos na produção de uma obra finalizada na África do Sul, tendo sido entregue conforme combinado ao artista, mil exemplares

O músico Gonzaga Guimarães Júnior mais conhecido por “Mirol” foi o convidado da última edição do programa “Menha Ndungo”, da Rádio Mais. Durante a emissão lamentou o facto de até ao momento não ter uma obra discográfica no mercado e a suposta obra não considera, porque os valores para o efeito foram desviados pelo radialista Adão Filipe.

Segundo explicações do artista, em 1999, quando vence o Prémio da Canção da Luanda Antena Comercial “LAC”, foi-lhe concedido um patrocínio para um álbum, pelo antigo governador da Província de Luanda, Aníbal Rocha, num montante de USD 35 mil.

Entretanto, o actual director da Rádio Benguela, Adão Filipe, sem o seu conhecimento, vai ter com o governador, alegando ser seu representante, e apresenta-lhe a proposta para a produção do disco.

“Pegou no dinheiro e foi conviver na África do Sul com mais uns amigos, e trouxe-me um disco com umas músicas sem expressão e sem a minha autorização e arrancou”, afirmou o artista. Segundo ainda as suas declarações, Adão Filipe chegara a Luanda com 500 discos, com o agravante de não receber os discos nem o dinheiro da venda dos mesmos.

Por essa razão, Mirol não considera que tenha um álbum publicado e no mercado, sendo igualmente peremptório em afirmar que existem provas documentais e que por isso vai recorrer à justiça para a resolução desta situação.

Também contactado pela produção do “Menha Ndungo” pela rede social Facebook, disse que Mirol gravou um CD com o produtor musical Simons Manssini na CT1 da RNA, cujo produtor executivo foi Adão Filipe. Disse o técnico reformado da RNA que participou nas gravações das músicas.

Não estando satisfeito com o sucedido, Mirol entrou em estúdio com um outro produtor musical angolano. Trata- se do músico, Tony Samba antigo tecladista da Banda Zimbo, por sua vez também contactado confirmou que há cerca de 8 anos, produziu um disco de Mirol que anda parado por carecer de apoios para a sua finalização.

“Tenho estado a introduzir coisas novas mesmo sem custos, para que não se desactualize”, afirmou o antigo integrante da extinta banda Zimbo. O tecladista referiu também que as músicas já gravadas contam com as participações de Teddy Nsingui, Nelas do Som, João Mário, Pitchu (Versáteis), Decimus, Benjamim Mias Galheta. Teclados: Neto Teclados e Arranjos. Numa música, Congas e Dikanza: Habana Maior. Vozes: Dorgan Nogueira e Beth Tavira, Malú e Fofandó, Sax de Sanguito, Bateria de Fonseca dos Kiezos. Zé Mueleputo e Marilda Samba, também participaram nas gravações.

Recomendação

Durante o programa, Mirol fez um apelo à ministra da Cultura, Turismo e Ambiente, Adjany da Silva Freitas Costa, no sentido de apoiar os músicos da sua geração principalmente os artistas deficientes, que são pouco convidados para actuarem em grandes espectáculos. Autor da música “A independência está chegando” disse que o seu maior desejo é ter uma banda musical uma vez que ainda se sente com o timbre vocal preparado para gravar. O músico lamentou que quando cantou que todo sofrimento acabará depois da independência nunca imaginou que 45 anos depois estaria a mendigar.

Trajectória

O cantor falou por outro lado, da sua carreira musical durante o programa. Natural de Cassualala, província do Cuanza-Norte, Mirol foi um activista político e essa actividade teve reflexos na sua música.

O desejo de aprender a tocar viola, incentivou Mirol a seguir a carreira artística como músico, sendo incentivado, no início de 1974 com apenas 13 anos, por músicos como Né Gonçalves e Né Correia, seus vizinhos.

Depois de aprender a tocar viola, a ânsia por uma Angola livre, inspirou o jovem a criar uma música que retratasse a independência e a liberdade dos angolanos. E com 14 anos, Mirol fez a composição da letra da canção “A independência está chegando e a terra já vai resplandecer…”

Ele começou a compor a música três meses depois do 25 de Abril, data do golpe de estado em Portugal e, em Agosto do mesmo ano, fez a primeira gravação em cassete. Fizeram parte da produção, Né Gonçalves na viola solo, Né Correia no baixo e Mirol na viola ritmo, acompanhado por três coristas. Depois de gravar a música, fazia algumas apresentações esporádicas em reuniões do MPLA e com estas actuações começou a ser mais conhecido. Mirol ficou mais conhecido em Novembro de 1974, quando Lúcio Lara visitou o Bairro Popular. Houve um grande comício, com milhares de pessoas e Mirol foi convidado a cantar. Lúcio Lara gostou da letra e da melodia da música.

No final de 1974, gravou a canção nos estúdios da Voz de Angola que a divulgou de seguida na sua programação. Em meados de 1975, esteve em risco de perder totalmente a visão. Dois anos depois da independência, em 1977, Gonzaga Guimarães Júnior “Miró” perdeu totalmente a visão, mas para alegria dos seus fãs, prosseguiu a sua carreira musical.

Hilario João

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