Carta do leitor: As construções no Kilamba  

 Por: José Soares Kilamba

Luanda

Li há dias no Jornal de Angola que o administrador da Centralidade do Kilamba disse que algumas das construções em curso nesta circunscrição fazem parte de um projecto para a área. Nos últimos dois meses, há uma monstruosa ocupação de espaços, não se sabendo que tipo de infra-estruturas serão ali erguidas.

Há quem fale em igrejas ou até mesmo um velório, uma vez que não se pensou nisso ou talvez um hospital para colmatar o vazio existente, tendo em conta que o único posto de saúde é insuficiente para o número de habitantes existentes, o que obriga que estes tenham de recorrer, frequentemente, às clínicas privadas nas zonas limítrofes.

 O que mais intriga quem vive no Kilamba não é seguramente a construção destas infra-estruturas. É aquilo que se passa nos espaços verdes que acabaram por ser transformada em autênticas feiras, com os habituais locais de comes e bebes, como se os habitantes locais e de outras áreas não pudessem também desfrutar da calmia num local para ler um livro, fazer um piquenique ou ainda namorar com a namorada ou esposa.

Quem conhece o Kilamba, exceptuando o que aconteceu no KK 5000, sabe que já existem lojas e restaurantes nos edifícios, o que por si só não deveria merecer mais das autoridades autorização para que os largos fossem transformados em feiras. Há outros locais que poderiam, no âmbito das iniciativas público-privadas, conhecer este destino e não os largos defronte aos prédios e até mesmo da própria Administração da centralidade.

Está mais do que provado que as feiras serão, brevemente, locais de bebedeiras e também de estímulo da prostituição, a julgar pelos exemplos que se conhecem de locais semelhantes aí nas redondezas.

Os que escolheram o Kilamba para viver tencionavam alguma paz de espírito e fugir do ambiente que se vivia nalgumas zonas, isso sem desprimor para as coisas boas que os nossos musseques e a periferia nos proporcionaram.

 É preciso que a Administração fique atenta e tente, se possível, minimizar os efeitos do que se está a passar com os largos, fruto de uma decisão do anterior administrador, mas cujos efeitos já começam a ver vistos negativamente.

O Estado deve exercer o seu papel e, se possível, recuperar os largos e jardins e dar-lhes um destino mais digno para os que vivem ou visitam a centralidade.

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