É este o caminho

No último Sábado, durante uma hora, a Rádio Nacional de Angola (RNA), por via do seu programa Kissangem, homenageou a cantora Sandra Fuliqueno, falecida no final do mês de Junho, vítima de tuberculose.

Apesar da pouca idade, 35 anos, Sandra Fuliqueno foi uma das poucas, mas notáveis cantoras e promotora da música tradicional da região Leste do país, que compreende as províncias do Moxico, Lunda-Norte e Lunda-Sul, esta última sua terra Natal.

Por várias vezes, Sandra rompeu a barreira do preconceito e do desdém para tentar ganhar um pequeno espaço em Luanda para dar voz e tornar conhecida a sua música folclórica cantada na maior parte das vezes na língua cokwe. E porque Sandra lutava para posicionar-se na capital do país? Porque num mercado cada vez mais dominado pela música moderna, como o Gheto Zouk, Kizomba, Kuduro e outros géneros electrónicos, não é fácil o tradicional ganhar espaço.

Até o Semba, que é típico de Luanda, tem passado por várias mudanças e obrigado a seguir os compassos da modernidade para poder resistir num mercado bastante dinâmico como é o de Luanda, onde só resiste uma certa elite suportada pelos media e pelos barões da indústria musical doméstica. Porém, ao divulgar, durante 60 minutos, o ritmo folclórico do Leste, a RNA mostra que o país musicalmente é grande e que é importante dar a conhecer e fazer chegar à casa de cada angolano outras sonoridades do interior mediante as ondas da rádio.

Assim, mais do que homenagear a Sandra Fuliqueno, que nessa sua persistência na música já venceu o concurso Variante, em 2013, a emissora prestou um trabalho público de excelência na longa e dura batalha de divulgação da sonoridade folclórica do Leste que há anos vem sendo ensaiada por outros gigantes da região, como Gabriel Tchiema, Sassa Tchokwe Internacional e outros, mostrando que é este o caminho da integração e da valorização do mosaico cultural nacional.

Portanto, se cada uma das regiões tiver o seu minuto de antena na Rádio Pública, para a divulgação dos seus expedientes artísticos nas mais variadas disciplinas, estaremos de facto a ligar culturalmente o país.

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