BIOCOM satisfeita com a granulagem do seu açúcar

A companhia de biocombustível de Angola (Biocom) não vai ajustar a qualidade da sua granulagem que é actualmente de 150 imcusa para 50 imcusa que é a qualidade do produto utilizado pelos maiores fabricantes de bebidas no país. Segundo a direcção, o mercado garantido pela indústria de bebidas é relativamente pequeno em comparação com o consumo nacional

A Biocom está satisfeita com o tipo de açúcar que produz e vai manter a granulagem actual por ser aquela que responde à maior solicitação do consumo nacional. 

Segundo a companhia, ajustar a produção para fabricar ao nível da calibragem de 50 incusa requereria um nível de investimento em equipamentos e treinamento de pessoal que não se justifica, pelo que a companhia não pretende ajustar-se a este esforço. 

“É verdade que o nosso produto não responde ao padrão daquelas duas fábricas que usam açúcar de 50 incusa. Ou seja, o nosso é mais granulado e o que eles usam é mais fino. Entretanto, não se justifica fazer investimentos de milhões só para responder a duas fábricas, numa altura em que uma delas (a Coca-Cola) tem aventado a hipótese de mudar para o mais granulado”, disse o director-geral adjunto da Biocom, Luís Bagorro. 

Luís Bagorro, respondia à sugestão deixada pelo ministro da Economia, Sérgio Santos, quando, por altura do balanço dos dois anos de existência do PRODESI, justificou a alta quota de importação de açúcar com a inexistência de resposta da única produtora nacional de açúcar. 

O ministro citou como exemplo o facto de as duas grandes indústrias necessitadas de açúcar (Coca-Cola e Refriango) não poderem usar o produto da Biocom nos seus manufacturados por insuficiência técnica. 

IMCUSA é a signa em inglês de Comissão Internacional para Métodos Uniformes de Análise de Açúcar, organismo internacional de normalização, fundada em 1897, que publica procedimentos laboratoriais detalhados para a análise de açúcar.

A organização é constituída por representantes de comités nacionais designados pelos governos de grandes importadores de açúcar e países exportadores. Os votos destes representantes são ponderados de acordo com a quantidade de açúcar de seus países na balança de importação/ exportação.

Luís Bagorro revelou que as fabricantes de bebidas têm sido aconselhadas a ajustar (elas) as suas necessidades e adaptarem-se ao tipo de grão produzido no país. “Outra solução podia ser uma pequena produtora responder a esta necessidade pontual, mas a Biocom não vê necessidade de investir nesta direcção”, explicou o responsável da companhia que acha que a demanda poderá ser respondida por um outro player no mercado.

O director-geral adjunto da Biocom considera o mercado de consumo um espaço movediço e que deixa sempre em aberto a possibilidade de entrada de outros players. “Veja que no passado colonial o país chegou a ter mais do que um fabricante, sediados em Benguela, Caxito, Malanje e outros pontos, como é próprio da dinâmica de mercado”.

O membro da direcção da companhia esclareceu que a impressão que se tem de “inoperância durante largo período do ano” é falsa, porquanto o ciclo produtivo da Biocom é de Abril a Outubro, sendo o período de intensificação das chuvas um defeso planeado, atendendo que durante o mesmo os meios mecanizados não podem operar, por risco de atolamento.

Companhia bate o seu próprio record

A 17 do corrente, a Biocom bateu o record de produção num só dia ao ter produzido 920 toneladas de açúcar. O recorde anterior, que datava do ano passado, estava fixado em mais de 700 toneladas/dia.

Bagorro disse que tal mérito foi alcançado mesmo com as limitações decorrentes da pandemia da Covid-19 que forçou a redução das equipas em actividade e as decorrentes da observação das medidas de biossegurança.

Acreditamos que em ambiente sem limitações este record seria grandemente superado, o que representaria um marco para a companhia, vaticinou Bagorro.

Produzir cada vez mais açúcar (um dos elementos essenciais da cesta básica), álcool neutro que neste período de combate à Covid- 19 e energia eléctrica renovável que ilumina lares de aproximadamente 300 000 angolanos é um dos objectivos em que a companhia está focada.

A Biocom mantém firme as projecções para este ano de 2020, ou seja, produzir 115 mil toneladas de açúcar, 18.000 m3 de álcool neutro e 63.000 MWh de energia eléctrica renovável a partir da biomassa.

É de salientar que desde Abril, altura em que foi aberta a presente safra, já foram moídas 450.000 toneladas de cana e produzidas mais de 40.000 toneladas de açúcar, o que representa mais de 35% da quantidade prevista para o ano em curso.

Queimadas criminosas afectam produção

Para além da pandemia, a Biocom enfrenta outro constrangimento, que são as queimadas criminosas que ocorrem e consequentemente destroem as plantações de cana-de-açúcar. Em anos anteriores a empresa tinha obtido sucesso em evitar queimadas, mas este ano a situação agravou-se.

Segundo dados, desde o início da safra, até este mês, já ocorreram 6 queimadas contra o canavial, portanto, sobre a cana em crescimento e/ou em fase de corte, resultando em vários hectares queimados e, com isto, menos açúcar para a população.

A companhia tem estado a solicitar à Administração local (Cacuso), à Polícia e ao Governo Provincial de Malanje, que prestem apoio, para manter a ordem e protecção contra o vandalismo que acontece com frequência na região.

A Biocom considera, não ser possível, nem pode admitir que esse tipo de crimes contra o ambiente natural e contra a propriedade alheia, ou seja, contra as lavras dos camponeses e projectos agro-industriais como a Biocom, continuem a acontecer, algumas vezes justificadas e encobertas nos hábitos e costumes do povo.

“É necessária uma análise profunda, discussão e compreensão desse fenómeno e das suas consequências, e acções imediatas sejam tomadas com urgência para que não voltem a acontecer”, refere a companhia em nota.

A Biocom, enquanto ente interessado na solução, tem feito a sua parte, com enorme trabalho de consciencialização nas aldeias. No entanto, entende que por si só não conseguirá reverter o quadro se as autoridades não se engajarem ao máximo, acrescenta.

“Enquanto as queimadas criminosas forem tratadas como fenómeno isolado, fora do contexto próprio e exclusivamente por sectores restritos do Governo, continuaremos a assistir ao agravamento da já complexa situação aqui na região e não só”, conclui a companhia.

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