RSF denuncia detenção de jornalista de investigação no Zimbabwe 

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou a detenção, Segunda-feira, em Harare, de Hopewell Chin’ono, jornalista de investigação do Zimbabwe e vencedor do Prémio CNN de Jornalista Africano do Ano 2008 

Pedindo a sua libertação imediata, a RSF considera que esta detenção “constitui o último acto de uma série preocupante de ataques à liberdade de informar”. 

“A Polícia prendeu este jornalista, invadindo a sua casa como se ele fosse um criminoso perigoso. A escolha de métodos brutais e detenções que apenas visam intimidar as vozes dissidentes lembra tristemente a repressão da imprensa e dos jornalistas sob a ditadura de Robert Mugabe”, afirmou a RSF, na Terça-feira, num comunicado, cuja cópia foi enviada à PANA, em Paris. 

Hopewell Chin’ono, jornalista de investigação zimbabweano, repórter e realizador, um dos mais renomados do país, foi preso na Segunda-feira na sua casa, em Harare, por vários polícias que arrombaram a casa.  

A Polícia perseguia o jornalista por “incitação à violência” e “perturbação da ordem pública”, acusações ligadas a posts seus no Twitter nos quais Hopewell Chin’ono relata um projecto de manifestação contra a corrupção do poder, organizado por um opositor, preso a 20 de Julho. 

“A detenção desta figura do jornalismo zimbabweano é o último sinal, talvez o mais preocupante, de um ressurgimento dos ataques à liberdade de informar e este jornalista deve ser libertado”, disse a RSF. 

Acrescentou que Hopewell Chin’ono, um crítico fervoroso do Presidente Emmerson Mnangagwa e do seu Governo, contribuiu recentemente para revelações sobre a atribuição de um contrato pelas autoridades, incluindo sobrefacturações em materiais de combate à Covid-19, e o escândalo, avaliado em mais de 50 milhões de euros, desembocou na prisão do ministro da Saúde.  

Desde o início da epidemia da Covid-19, a ONG indicou que, no Zimbabwe, pelo menos 10 jornalistas foram arbitrariamente presos e quatro foram agredidos pelas forças de segurança, às vezes simplesmente alegando não terem eles um cartão de imprensa actualizado. 

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