Editorial: O país tem história e tem Paihama

Jornal OPaís edição 1909 de 25/07/2020

Durante décadas, a sociedade angolana foi condicionada, obrigada e educada a idolatrar certas pessoas. A acreditar.

Hoje, com o chamado novo paradigma, partem-se pontes e o risco é o das descontinuidades, algo muito perigoso, com consequências que ninguém pode prever. De repente, uma certa geração é politicamente diabolizada, mas foi esta geração que guiou o país até onde estamos, unificados, em paz, com uma identidade. Esta geração desenhou um percurso, com erros, certamente, mas formou o que são os políticos de hoje, os dirigentes e a elite. São a sua imagem.

Ou o país inventa um recomeço do zero, ou presta a devida homenagem a estas mulheres e a estes homens, do Governo e da Oposição, política e armada. Fingir que foram apenas uma nulidade é acomodar a palha para novo incêndio. Kundi Paihama tem o seu nome bem escrito na história de Angola. Isto não se apaga.

Partiu agora, fica aberta a discussão sobre a sua figura, filosófica e política, tudo o resto é de menos importância, desde que que não se queira tirá-lo da história deste país, como, infelizmente, parece apontar o dito novo paradigma, que de repente quer um país sem história.

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