Eles batem na mãe

Estamos em Angola e neste país, se há uma coisa que aprendemos desde crianças é que na mãe não se toca. Mãe é algo sagrado. Mãe é qualquer e toda a mulher. Não se toca e ponto final. Não é necessária qualquer explicação.

Ou o mundo deu uma cambalhota, ou eu não vi bem. Sim, porque não tive como ver tudo. Não vi até ao fim um vídeo que recebi pelo WhatsApp em que homens sem mãe espancam mulheres. Na verdade, aquelas bestas não são homens, não podem ser. Não têm mãe. Não são humanos. Aquilo, todos juntos, são o diabo em pessoa.

Mulheres são obrigadas a deitar-se no chão, molhadas com água de um balde e espancadas com cassetetes por supostos guardas de uma fazenda em Malanje. Uma delas está grávida. Supostamente teriam roubado alguma coisa da fazenda, água, talvez. Água não se rouba, é vida e todos temos direito a ela.

É mais do que revoltante, é nestes momentos em que se vê que a Constituição tem demasiados limites. Aqueles homens têm de ser julgados, para voltarmos a ser humanos, para voltarmos a ser país. Está tudo nas mãos do SIC, agora.

Nas mãos do SIC está também a história do desaparecimento de três crianças em Viana. São filhos de um polícia, são filhos de uma mulher. Este caso deve mobilizar toda a sociedade, é bem mais importante do que a Covid-19, mais importante do que todo o Governo, mais importante do que qualquer lei escrita por homens. Uma mulher perdeu os três filhos porque alguns polícias acharam ser mais importante a máscara do que o facto de três crianças serem separadas da mãe.

Ou a Polícia processa a mãe por ter mentido e apresenta as crianças, ou a Polícia recupera as crianças, onde quer que estejam. A história é para mandar para as urtigas as situações de calamidade desta vida, é para convocar toda a indignação. Alguém sabe o que é uma mãe perder uma criança de seis meses e dois gêmeos de nove meses porque baixou a máscara? A vê-los partir num carro, impotente e indefesa porque uma besta julga que o mais importante é ela usar uma máscara? Haverá aí uma rede de trafico de seres humanos? Mais um assunto nas mãos do SIC, que, já agora, olhando para os discursos dos políticos, merece uma sede nacional com o mínimo de condições. O que tem é uma aldrabice, aos agentes e ao país.

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