A geração que se vai

Kundy Paihama, como todos os homens do seu tipo, é para amar ou não, talvez até para odiar, para alguns. Mas nunca para cair na indiferença. Estes são os homens que fazem a história. Marcam, para o bem ou para o mal.

Ouvir falar do general que acaba de partir para sempre depende da forma como ele tocou quem nos fala. Há quem não lhe perdoe erros, há quem lhe seja eternamente grato.

Ouve-se sobretudo falar dele, agora que morreu, como militante do seu partido e como governante. Isto significa que ele guardou sempre para si a sua vida privada. O seu espaço. Esta é uma boa qualidade para um homem público, que soube preservar um canto para as suas alegrias e para as suas mágoas mais íntimas.

Com Paihama parte um pouco da sua geração, não há outro como ele.

Paihama e muitos outros precisavam de ficar por mais tempo, a observar, a corrigir e, sobretudo a ensinar a paciência que nasce da idade, capaz de absorver e relativizar, por força da idade e das experiências próprias, até alguma insensatez dos que agora ascendem ao poder, partidário e governativo.

Aquela presença absolutamente vital nas comunidades africanas de um mais velho na família, não para convencer, não para impor, mas para ensinar e para lembrar com saudade, depois, na altura em que inevitavelmente se recorrerá aos seus ensinamentos, até aos descartados de imediato pela voracidade da irreverência.

É que os mais velhos não ensinam porque sabem tudo, ensinam porque erraram também. É sobretudo dos seus erros próprios que vêm os conselhos.

O meu receio é que a sua geração, do seu lado da barricada e do lado oposto, está a ir depressa demais, logo agora que se juntaram e paz.

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