Bispos da IURD afastam possibilidade de diálogo com “dissidentes” em Angola

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A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) rejeitou neste Sábado qualquer possibilidade de diálogo com bispos e pastores angolanos que nos últimos dias tomaram o controlo de alguns templos, esperando que a justiça angolana resolva o caso.

A igreja de origem brasileira tem sido objecto de polémica em Angola, depois de um grupo de pastores e bispos angolanos terem assumido a dissidência perante a linha oficial.

O pastor angolano Alberto Segunda, fiel da igreja há 25 anos e bispo há 21 anos, disse à Lusa que a IURD está registada em Angola desde 1992, conta com 500.000 fiéis e um total de 307 templos em todo o país, encontrando-se actualmente 90 em posse da ala angolana dissidente.

Segundo Alberto segunda, a IURD “está no país legalmente e funciona normalmente”. Por isso, “a partir do momento que somos invadidos, são tomados os templos, pastores são agredidos, é crime, não posso dialogar com um criminoso, que a justiça faça o seu trabalho, só isso que nós queremos”, referiu.

O pastor disse que até ao início desta situação, em Novembro do ano passado, reacendida em Junho, com a tomada da direcção pelos pastores angolanos, “nunca houve nenhum diferendo entre pastores como eles dizem angolanos e brasileiros”.

“Até porque nós, pastores da IURD, sempre trabalhámos em harmonia, juntos. Na verdade, esse diferendo é contra nós e há quem diz que há conflito interno”, realçou o sacerdote, enfatizando que o conflito partiu de fora para dentro.

“Porque um certo grupo de ex-pastores, que foram desvinculados da obra já há um certo tempo por conduta imoral, juntaram-se e aliciaram alguns que estavam dentro, criaram esse conflito e hoje a gente vê o que está acontecendo aí pelas redes sociais”, sublinhou.

Sobre as acusações de racismo, evasão de divisas e a imposição da vasectomia aos pastores, Alberto Segunda considerou-as “infundadas”, considerando que são apenas “pretextos para justificarem os seus actos criminosos”.

“Para justificar esses crimes, eles usam narrativas, mentiras, para dizer que dentro da IURD há racismo, há imposição na vasectomia, coisa que não existe, porque quando as pessoas decidem fazê-lo, fazem voluntariamente”, referiu. O pastor angolano admitiu que “realmente a igreja orienta” a realização da vasectomia, “até por conta da própria dinâmica em si da igreja”.

“A obra de Deus (faz-nos movimentar), hoje estamos aqui, amanhã estamos num outro país, fizemos a obra de Deus em vários lugares, então somos orientados a fazer a vasectomia ou um planeamento familiar de maneira a podermos ter mais disponibilidade a servimos a Deus”, explicou.

Mas, “não há imposição nenhuma, não há racismo, até porque a maioria dos pastores brasileiros que aqui estão são negros, a maioria dos pastores que convergem à IURD são angolanos, onde é que há o racismo? Eu sou angolano”, disse. Alberto Segunda reforçou que há pastores que têm filhos, muitos com dois, três filhos, existem nesta altura mulheres e esposas de pastores grávidas.

Relativamente ao processo que se encontra na justiça, o porta-voz da IURD manifestou confiança na justiça, que em momento oportuno virá a público para se provar a verdade.

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