“Huíla chora o seu filho querido”

O segundo secretário do Comité Provincial do MPLA na Huíla, Desidério da Graça, considerou Kundy Paihama como um militante exemplar que sempre trabalhou para o bem do partido e do país, e que a sua partida deixa a província órfã

Em declarações a OPAÍS, o político descreveu Paihama como um intrépido combatente da linha da frente, em todos os momentos, e “um testemunho vivo da nossa angolanidade, da nossa luta, por isso, estamos todos tristes”, disse, agastado.

Com a sua morte, segundo o político, a Huíla e Angola perdem um dos seus melhores filhos, que entregou toda a sua vida em prol do povo angolano, sem medir esforços.

João Marcelino Typinge, deputado e antigo primeiro secretário provincial do MPLA na Huíla, e que privou muitos anos com o malogrado, caracterizou-o como tendo sido um dirigente exemplar que deu tudo para o melhor de Angola e para os seus filhos.

“Conhecemo-nos desde os anos 1974, até agora que ele nos deixa. Trabalhamos aqui juntos durante muito tempo”, disse. Typinge disse ter sido ele quem pediu ao então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que enviasse Paihama para governar a Huíla, a fim de ajudar a aliviar a pressão no tempo de guerra, cujo pedido foi aceite.

“Aceitou vir trabalhar connosco, portanto, ao serviço do povo angolano, e, por isso, morre com o sentimento de missão cumprida”, sublinhou.

Por sua vez, Adriano da Silva, antigo vice-governador da província da Huíla, na altura em que Kundy Paihama era governador, diz que via nele uma figura e um líder carismático que soube partilhar o seu conhecimento com todos.

“Ele foi um homem que esteve ligado à vida do desenvolvimento socio-económico, político e militar de Angola”, disse, para quem Kundy foi um homem do passado que se forjou no presente, cumprido todas as suas etapas de desenvolvimento orientadas pelo MPLA.

“Eu tive o privilégio de ter trabalhado com ele durante seis anos como seu vice-governador, sempre tive-o como uma lanterna acesa a iluminar o meu caminho”, reconheceu.

Alfredo Berner, ex-colega de escola de Kundy Paihama na Missão Evangélica de Caluquembe, falando à nossa reportagem, disse que a vida do general e exministro da Defesa Nacional, confunde-se com a história do país.

“Encontrei-me com Kundy Paihama em 1958, no internato, tínhamos uma diferença de dois anos, ele era mais velho do que eu. Quando veio a revolução em 1974/75, encontramo-nos novamente em Benguela, foi ele quem me ajudou bastante e tinha-o como um irmão mais velho, e ensinou-me a viver como homem”, sublinhou.

João Katombela, na Huíla

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