Vendedores da Mabunda permanecem fora do mercado sem condições de bio-segurança

A constatação foi feita pelo secretário do Conselho Municipal da Juventude da cidade de Luanda, Alberto Dala, que após visitar a sua brigada no mercado da Mabunda lamentou, o facto de os vendedores não cumprirem as recomendações da administração do mercado, insistindo em vender fora, na praia e sem condições mínimas de bio-segurança

Alberto Dala declarou, a OPAÍS, que a sua equipa vai realizar a segunda fase da campanha de sensibilização contra a Covid-19 neste mercado, que é um dos mais frequentados da província de Luanda.

Apesar do êxito alcançado na primeira fase da campanha, o líder lamentou o facto de os vendedores não cumprirem as recomendadas da administração do mercado, optando por comercializar fora do mercado quando no seu interior há espaço suficiente, resultante de um investimento público.

O secretário-executivo do Conselho Municipal da Juventude da Cidade de Luanda disse que a segunda fase da campanha de sensibilização contra a Covid-19 iniciou na Samba, na Quinta-feira, e foi extensiva a todo o município de Luanda.

Alberto Dala reconheceu que algumas pessoas já sensibilizadas optam pelo cumprimento das medidas de prevenção, como o uso correcto das máscaras, o distanciamento físico e social, sendo que outras ainda têm dificuldades de cumprir.

A vendedora Teresa Walaca, que se dedica a esta actividade há um ano neste mercado, disse que tem cumprido as medidas de bio-segurança e quando os clientes aparecem sem qualquer protecção exige que se cumpra o distanciamento físico.

Por outro lado, contou que, apesar das medidas de restrições impostas pelas autoridades, o negócio está a correr muito bem e consegue garantir o sustento da sua família. Quanto aos preços do peixe, disse serem acessíveis e variam de 1.000 a 5.500 Kwanzas.

Henrique Pateji, um dos clientes que compareceu ontem no local, reconheceu o risco que correm as pessoas que se deslocam ao mercado por existirem incumprimentos das medidas de bio-segurança, nem sequer o distanciamento físico recomendado é observado.

Disse ainda que as condições da venda do pescado não são das melhores, apontando a existência de água suja em todos os corredores como uma das situações que carecem de ser ultrapassadas.

Sábado: o dia das enchentes

“Pelo que pude aperceber, a enchente que se verifica hoje deve-se a redução dos dias de venda, por serem apenas três dias da semana. E o Sábado é o dia em que as pessoas têm maior disponibilidade, dai a enchente”, frisou.

Henrique Pateji aproveitou a ocasião para apelar à administração do mercado no sentido de adoptar medidas de segurança, deixando bancadas livres ou alargar o mercado, para que exista mais espaço. Desta forma, se poderá respeitar o distanciamento, numa altura em que os casos da Covi-19 aumentam todos dos dias.

A comerciante Suzana da Silva, que vende neste mercado há sete anos, revelou que na sua bancada a maior parte dos clientes que aparecem usam máscara. E quando aparecem pessoas que não observam as medidas de prevenção, faz-lhe lembrar que esta doença ainda “não tem cura, não tem cara, é invisível e que todos devem se proteger”.

Carlos Capusa, vendedor de peixe, confessou que sente receio de vender nesta altura em que Luanda já regista elevados casos de transmissão comunitária do vírus, mas o faz, porque não tem alternativa para sustentar a sua família.

Para ele, o Sábado é sempre um dia de maior aglomeração, por se tratar de fim-de-semana, em relação aos outros dias de trabalho, em que aparece um menor número de pessoas.

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