País com 15 casos graves e oito em estado crítico e com ventilação mecânica invasiva

Nas últimas 24 horas foram confirmados mais 18 novos casos da Covid-19, com mais um óbito, perfazendo um total de 950 infectados, dos quais 41 morreram e 242 recuperaram. No entanto, 667 casos estão activos, 15 deles graves e oito em estado crítico e com ventilação mecânica invasiva, anunciou, ontem, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta

Sílvia Lutukuta, que falava na habitual actualização diária sobre a pandemia no país, no CIAM, em Luanda, informou que, além dos oito pacientes em estado crítico e com ventilação mecânica invasiva, há outros dois que necessitam de hemodiálise.

Explicou que dos 18 novos infectados, seis são do sexo feminino e 12 masculinos, com idades compreendidas entre os 14 e os 69 anos.

Quanto ao cidadão que morreu, disse tratar-se de um dos doentes críticos, de 72 anos de idade, que estava internado, nas últimas 24 horas, no Hospital de Campanha da ZEE de Viana. “Portanto, este paciente, para além da Covid-19 tinha outra co-morbilidade”, disse.

Sobre o trabalho laboratorial por RT-PCR, Sílvia Lutukuta disse haver um total de 59.052 amostras colhidas até agora, das quais 950 positivas e 58.102 negativas. No entanto, nas últimas 24 horas processou-se 447 testes, havendo, nestes 429 negativos.

Fez saber que se continua a fazer a testagem serológica aos motoristas e aos contactos dos casos positivos, bem como aos suspeitos que procuram as unidades sanitárias. “Do resultado da última testagem aos motoristas, que foi hoje [ontem], temos 570 casos testados, dos quais tivemos 11 reactivos. Estes casos reactivos terão o seu teste complementar por RT-PCR”, frisou.

Por outro lado, Sílvia Lutukuta disse que nas últimas 24 horas 107 pessoas receberam alta, sendo 76 na província de Luanda, 13 no Bié, 11 em Benguela, cinco na Huíla e dois no Cuando Cubango.

Capacidade de testagem para RTPCR

A titular da pastada Saúde revelou que está em Angola uma equipa técnica chinesa da empresa BGI, responsável pelo fornecimento e montagem dos novos laboratórios que vão aumentar a capacidade de testagem para mais 6.000 testes de RT-PCR e a mesma quantidade em testes serológicos através do ILISA.

A equipa técnica, de que faz parte um angolano, vai montar estes laboratórios nas províncias de Luanda, Uíge, Lunda-Norte e Huambo.

Neste momento, está em curso uma operação de mobilização do equipamento para o país a partir da China. Por esta altura, os técnicos estão a visitar os locais onde serão instalados os laboratórios e a acompanhar as obras de adaptação destes equipamentos.

Sílvia Lutukuta disse ainda que todos os passageiros do Brasil já tiveram alta e que, por essa altura, estão a acompanhar os viajantes que chegaram de Portugal. Estes serão testados no final desta semana e entre Quinta e Sexta-feira terão, eventualmente, alta.

Fez saber que o Ministério da Saúde continua a trabalhar com o Governo da Província de Luanda na estratégia do tratamento comunitário dos casos assintomáticos.

“Vale aqui informar que as famílias devem estar no centro das atenções, serem partícipes activos nesta luta e no cumprimento das medidas de prevenção individual e colectiva”, frisou, sublinhando como medidas a serem cumpridas o uso obrigatório de máscaras nas ruas, em locais fechados, evitar ajuntamentos, bem como reduzir o tempo de permanência e frequência de locais de grande concentração como mercados.

A governante reiterou a presença da circulação comunitária do vírus e que qualquer pessoa ao nosso lado pode ser um portador assintomático da doença, por isso recomenda a prevenção.

Mais de 80 mil famílias vulneráveis apoiadas com cestas básicas

Indagada sobre o projecto de distribuição de cestas básicas, embora não seja da responsabilidade do seu pelouro, Sílvia Lutukuta garantiu que está a ser realizado um trabalho profundo, não só em Luanda, mas a nível nacional, de atenção aos mais vulneráveis. O mesmo está a ser levado a cabo pelo Ministério da Acção Social Família e Promoção da Mulher, a Comissão Multissetorial e está a ser acompanhado pela ministra de Estado para a Área Social.

“Temos a noção de que mais de 80 mil famílias foram apoiadas. Cá em Luanda, tivemos a oportunidade de acompanhar, principalmente, as famílias mais vulneráveis que estiveram em cercas sanitárias e que tiveram este apoio”.

A governante disse que em relação à distribuição de água, há um trabalho de distribuição gratuita de água às populações mais vulneráveis, em vários locais, que está em curso.

“Dadores que fizeram transfusão a criança seropositiva não estão infectados”

Em reacção a uma história de uma criança seropositiva alegadamente infectada no Hospital Pediátrico de Luanda, Sílvia Lutukuta explicou que foi instaurado um inquérito para aferir responsabilidades. Porém, foram atrás dos resultados dos exames feitos aos dadores do sangue usado na transfusão e constatou-se que os mesmos são seronegativos.

“Não estão infectados e, por esta razão, com base no inquérito que está em curso, vai apurar-se a fonte de contágio da criança”, frisou.

Por outro lado, explicou que o doente de Covid-19 só pode ser transferido se estiver estável e que enquanto espera pelo resultado de RT-PCR, é tratado. Mesmo que tenha resultado positivo, tem de ser estabilizado e só depois pode ser transferido, em segurança, para os centros de referência.

Questionada sobre a proveniência dos testes, Sílvia Lutukuta salientou que se está a lutar contra um inimigo comum e que o Serviço Nacional de Saúde e seus subsistemas têm de trabalhar de forma associada e juntar sinergias. “Por isso, não importa de onde vem o teste, o mas importante é testar o doente em tempo útil e tratá-lo para salvar vidas”, frisou.

Diárias de quarentena institucional custam entre 35 a 50 mil kwanzas

A ministra da Saúde anunciou que os preços das diárias nas unidades hoteleiras onde está a decorrer a quarentena institucional variam entre 35 a 50 mil kwanzas. Este preço resulta de uma avaliação profunda feita pelo seu Ministério em parceria com o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente bem como da comissão Multissectorial.

Explicou que se fez a avaliação dos locais para a quarentena institucional olhando para o critério preço e condições para assistência e acompanhamento dos doentes em quarentena institucional.

“Importa realçar que quando estamos em quarentena não estamos a ocupar um quarto normal de hotel, numa situação normal. Portanto, há uma série de critérios quer do ponto de vista sanitário como do ponto de vista de alojamento que tem de ser tido em conta”, detalhou. Sílvia Lutukuta esclareceu também que para além da quarentena, que é assumida pelo Estado, há outros locais mais dispendiosos em que as pessoas têm a liberdade de escolher, desde que seja credenciado para quarentena.

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