Deputados e Executivo analisam crise na IURD no Parlamento

Hoje, todos os caminhos vão dar à Assembleia Nacional, a partir das 9 horas, altura em que os deputados das 1ª, 2ª,3ª, 7ª e 10ª Comissões vão colocar em cima da mesa o “dossier” conflito interno na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)

Na véspera desta reunião, OPAÍS conversou com o deputado e advogado David Mendes, que defendeu a necessidade de o caso ser dirimido nos tribunais, em vez de ser na Assembleia Nacional. David Mendes entende que, por se tratar de um assunto que levanta acusações e contra-acusações entre os fiéis envolvidos neste conflito, compete somente à justiça determinar em que parte estará a razão. 

Falando na condição de deputado ligado à Comissão dos Direitos Humanos, acusou a parte brasileira, através do seu Presidente da República e da Embaixada do seu país em Angola, de tentar “arregimentar” o Presidente Angolano para que este intervenha a seu favor. David Mendes diz que o Governo brasileiro não deve interferir nos problemas internos de Angola, por ser um país soberano. 

De acordo com o entrevistado, a Igreja Universal do Reino de Deus é uma instituição de direito angolano, e os templos não foram construídos com o dinheiro proveniente do Brasil. David Mendes defende também que o Banco Nacional de Angola (BNA) se pronuncie sobre se os bispos e os pastores brasileiros trouxeram dinheiro do seu país para a edificação dos templos de que reclamam titularidade. 

O deputado independente à Assembleia Nacional pelo Grupo Parlamentar da UNITA disse que, das informações recolhidas juntos dos pastores angolanos, todo o património foi construído com o dinheiro dos angolanos. 

Desabafou que os fiéis angolanos desta congregação religiosa estão a lutar a sós, e defende a intervenção de quem de direito em defesa destes e das suas igrejas, as quais considera de património nacional. 

“É hora de darmos um claro sinal ao Governo brasileiro para não interferir nos assuntos internos de Angola”, afirmou. Disse ser inadmissível que os pastores brasileiros em Angola façam lavagem de dinheiro, evasão de divisas, discriminação e vasectomia contra angolanos, “tudo em nome do Senhor”. 

“Os brasileiros em Angola são tratados como irmãos, com muito carinho e amor, como outro qualquer estrangeiro”, disse, porém, os pastores não devem confundir como se estivessem a representar o povo brasileiro. 

Fim lucrativo 

Sem rodeios, David Mendes acusou a parte brasileira de pregar um evangelho de uma falsa prosperidade em troca de dinheiro, atraindo sobretudo os mais necessitados e os menos esclarecidos. Ironizou que se os pastores brasileiros fossem verdadeiros e com poderes milagrosos, o momento que o país está a atravessar com a Covid-19 seria o ideal para demonstrarem este poder espiritual. 

Dois pesos e duas medidas 

David Mendes instou as autoridades a fazer justiça à dimensão do crime, recordando que no quadro da “Operação Resgate”, lançada pelo Governo Central, muitas igrejas angolanas foram encerradas, mas outras ilegais com a matriz brasileira mantiveram-se abertas até ao momento. 

O deputado criticou também o desfecho desfavorável do processo caso “Vigília da Virada” realizada há alguns anos na Cidadela Desportiva, em que morreram 16 pessoas asfixiadas, mas sem punição aos mentores desta iniciativa.

Dois pesos e duas medidas

David Mendes instou as autoridades a fazer justiça à dimensão do crime, recordando que no quadro da “Operação Resgate”, lançada pelo Governo Central, muitas igrejas angolanas foram encerradas, mas outras ilegais com a matriz brasileira mantiveram-se abertas até ao momento.

O deputado criticou também o desfecho desfavorável do processo caso “Vigília da Virada” realizada há alguns anos na Cidadela Desportiva, em que morreram 16 pessoas asfixiadas, mas sem punição aos mentores desta iniciativa.

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