Rappers diversidade e o regresso dos desfiles com público 

A Etro fez história ao realizar o primeiro desfile com público depois do confinamento. Milão apresentou colecções a duas velocidades, a moda em carne e osso e a nova e distante normalidade 

Ao fim de semana a desfilar sem público, a moda quebrou o longo jejum e voltou a sentar os seus convidados na primeira fila. O passo foi dado pela Etro, marca italiana dirigida por Verónica e Kean. 

A dupla fez história ao realizar o primeiro desfile com público no local depois do confinamento ditado pela pandemia. No total, 80 pessoas assistiram à apresentação, seguindo um conjunto de novos procedimentos ao qual a moda terá de se habituar se quiser retomar parte da velha normalidade — o uso de máscara foi obrigatório, o desfile aconteceu ao ar livre e com uma distância pouco usual entre as cadeiras e foi medida a temperatura a todos os convidados antes de entrarem no recinto. 

“Estamos vivos e ao vivo”, admitiram os criadores durante a conferência de imprensa que se seguiu. “É um acto de coragem que vem do coração. Quisemos trazer de volta a vida e energia à nossa cidade”, acrescentou Kean Etro. Milão, a cidade em questão, assistiu durante os últimos quatro dias a um evento híbrido — as apresentações digitais predominaram, enquanto poucas marcas trouxeram o desconfinamento para dentro do calendário. 

Apesar da audácia, a marca não escapou a críticas. Mais do que ter arriscado em convidar pessoas para assistir ao desfile, houve quem chamasse a atenção para a escolha dos influenciadores digitais presentes no evento. O perfil de Instagram Diet Prada constatou que, em 24 (mais de um quarto da assistência), nenhum deles era negro. 

Entre os utilizadores que comentaram a publicação está Naomi Campbell — “Estou farta. Isto tem de parar”. Enquanto uns reincidiram nos erros do passado, outros aproveitaram a semana da moda masculina de Milão para dar provas de mudança. 

Uma outra marca italiana, a MSGM, deu um passo adiante na sua estratégia de sustentabilidade ao apresentar a primeira coleção inteiramente tingida com recurso a pigmentos biodegradáveis e fabricada em algodão orgânico certificado. 

A partir de 2021, anunciou ainda a marca, todos os cabides e sacos usados nas lojas serão reciclados, à semelhança das etiquetas da roupa, que passarão a ser feitas de poliéster reciclado 

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