A performance da economia nacional no Iº trimestre

As perspectivas de recuperação da economia no curto prazo continuam desafiantes. Se por um lado o sector petrolífero continua a ser o motor do crescimento do país, por outro, o sector não petrolífero começa efectivamente a dar passos significativos rumo a redução das importações daqueles produtos que o país apresenta potencialidades.

Neste sentido, de acordo com os dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) real assinalou, no Iº trimestre de 2020, uma contracção de cerca de -1,8% em termos homólogos, o que corresponde à um agravamento quando comparado ao desempenho de -0,6% (uma melhoria face à contracção inicial de -0,8%) apurado no último trimestre de 2019, influenciado, essencialmente pela desaceleração de sectores como o Comércio (-11,6%), Pescas (-7,9%), Extracção de Diamantes (-5,2%), Financeiro (-5,1%) e Extração de Petróleo com cerca de (-1,7%). 

Segundo o INE, que reviu em baixa o crescimento da economia em 2019 para -0,6%, o que contrasta com os anteriores -0,9% , as actividades que mais contribuíram, em termos de participação, e constituíram factores importantes para o desempenho das actividades no PIB do Iº trimestre de 2020 foram a Extracção e refinação do petróleo bruto e gás natural com cerca de 33%, seguida do Comércio com 14%, Construção com 12%, Administração Pública com 8%, Outros Serviços com 6%, Serviços Imobiliários e Aluguer com 6% e Agro-Pecuária e Silvicultura com pouco mais de 5%. 

Vale também destacar que o desempenho negativo da economia, o pior desde o IIIº trimestre de 2018, reflectiu-se sobre o comportamento do mercado de trabalho. Assim sendo, no período em referência, a taxa de desemprego da população com 15 ou mais anos de idade, foi estimada pelo INE em cerca de 32%, um aumento de 0,2 pontos percentuais (p.p.) em relação ao último trimestre de 2019. Ou seja, a desaceleração da economia aumentou a população desempregada no país em 2,3%, o equivalente a 108 299 pessoas, para 4 735 457 pessoas. 

Relativamente à taxa de desemprego de pessoas com idade compreendida entre 15-24 anos, foi estimada em cerca de 57,8%, um incremento de 1,3 p.p. face ao trimestre anterior, o equivalente a 2.8 milhões de jovens, o que poderá reflectir-se sobre o poder de compra desta classe que é potencialmente consumidora e, tendo em conta a importância da variável consumo na composição da equação macroeconómica fundamental, poderá continuar a penalizar a evolução do PIB real proximamente. 

Os números acima mencionados foram apurados numa conjuntura dissociada da propagação da pandemia da COVID -19 em Angola, uma vez que o país decretou o Estado de Emergência (EE) apenas no início do IIº trimestre 2020, mas foi numa altura em que a maior parte das economias mundiais já haviam definido outras medidas de confinamento como as restrições de mobilidade entre os Estados que se reflectiu sobre a dinâmica de crescimento da economia nacional visto que, apesar das melhorias, o país continua ainda muito dependente dos mercados externos. 

Segundo dados divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA), o PIB nominal foi estimado em cerca de 17.963 milhões USD no Iº trimestre de 2020, uma redução trimestral e homóloga de 2,64% e 18,05%, respectivamente, o que terá sido reflexo da deterioração das exportações do país. Neste sentido, destaca-se o comportamento das Reservas Líquidas Internacionais (RIL´s) que durante o período, fixaram-se em cerca de 10.932 milhões USD, o que representa um incremento homólogo de 6,56%, mas uma redução trimestral de 6,66%. 

Assim sendo, os níveis das RIL´s acima mencionados permitem ao país garantir cerca de 8,1 meses de importação de bens e serviços. Mas, se considerarmos as Reservas Internacionais Brutas (RIB´s), a capacidade de importação aumenta para 12,2 meses. 

Relativamente a classificação económica das importações, importa destacar que a importação de bens de consumo corrente/final ascendeu os 1.527,5 milhões USD no Iº trimestre, uma redução trimestral e homóloga de 21,36% e 21,50%, em cada caso, o que poderá sugerir uma melhoria da produção nacional. com impactos sobre o sector não petrolífero. 

Em suma, a economia continua a enfrentar desafios de diversa ordem. O abastecimento do mercado interno, a redução da burocracia no âmbito da abertura de empresas e a redução da taxa de imposto industrial poderão ajudar a país a recuperar a sua dinâmica de crescimento e melhorar as condições de vida das famílias. 

 

error: Content is protected !!