Funcionários da administração do K. Kiaxi sem salário há três anos 

Um grupo de trabalhadores, mais de duas dezenas, pertencentes à Unidade Técnica e Comunitária (UTECOM) do município do Kilamba Kiaxi, queixa-se de três anos de salário. Apesar de estarem a trabalhar, este não se reflecte nas suas contas bancárias, pelo atravessam dificuldades de várias ordens. A administração reconhece este problema

A situação desde trabalhadores vem de há muito tempo, aliás são 3 anos sem ver o salário, apesar de estarem a prestar serviços quase todos os dias úteis da semana, na poda de árvores, renovação de lancis, terraplanagem, saneamento básico, entre outros. Quando pensam que cada vez que o município recebe um novo administrador, a situação será resolvida, a experiência lhes mostra o contrário. 

São no total 21 trabalhadores (técnicos) + cinco (estes últimos que prestam serviço de segurança no estaleiro onde fica o material de trabalho), ligados à administração do Kilamba Kiaxi, que ganharam coragem para pedir ajuda ao Jornal OPAÍS, no sentido de serem ouvidos pela instância superior, uma vez que a situação está mais difícil com a Covid-19. 

Está difícil sustentar a família, pagar a renda, as dívidas, e muitos têm os filhos fora do sistema de ensino por não terem como pagar a escola. Quando alguém adoece o único recurso são as dívidas, na esperança de verem os três anos de salário em atraso a serem pagos, mas tudo não passa de mais uma dívida. 

Não são funcionários novos da administração do Kilamba Kiaxi, aliás, prestam os serviços ora citados há mais de 15 anos. Já tiveram momentos bons, reconhecem, bem como difíceis, mas este que estão a passar tem testado a sua capacidade de aturar as adversidades. 

“Desde já nunca tivemos um salário regular, mas o que mais nos preocupa é que desde 2017 que estamos sem salário. Dependemos deste salário, muitos colegas foram postos fora da casa de renda porque não conseguiam pagar e estão nas casas dos pais, com a mulher e filhos. Queremos apelar aos nossos dirigentes que vejam esta situação”, pedem. 

O desassoreamento das valas, a terraplanagem das vias terciárias, bem como a pintura de lancis e poda de árvores tem sido o trabalho que constantemente desenvolvem, na esperança de um dia o salário cair. Para provarem que são realmente funcionários da administração do Kilamba Kiaxi, e não suplentes ou temporários, mostraram ao nosso repórter o passe de serviço, carimbado e assinado pela então administradora Guilhermina. 

Antes eram 58 trabalhadores e tinham um salário que rondava de 50 a 70 mil Kwanzas. Com a redução do pessoal, para 21, a contar que o salário iria subir, foram surpreendidos com a redução para 46 mil Kz (todos).   

Administrador deixa nas mãos do MINFIN 

Segundo os funcionários, este problema da falta de salário não se verifica apenas na UTCOM do Kilamba Kiaxi, pois têm conversado com os colegas dos outros municípios e vivem a mesma situação. 

“No mês passado tivemos um encontro com a Comissão Administrativa de Luanda e o Ministério das Finanças, no qual fizeram o cadastro do pessoal em todos os distritos, e ficamos a saber que o problema não está apenas no K. Kiaxi. Até agora estamos à espera que resolvam o problema”, disseram. 

Os trabalhadores disseram ainda que apesar de este problema vir desde a administração passada, o actual administração do município, Nelson Funete, já conversou com eles, alegando que tem conhecimento do problema e que tudo estava a depender do Ministério das Finanças. 

Lembram que quando o Kilamba Kiaxi era município recebiam os salários dentro da administração e era-lhes pago à mão. Desde que passou para distrito, os funcionários da UTCOM ficaram sob a responsabilidade da Comissão Administrativa de Luanda. A troca constante de administrador, segundo eles, também tem dificultado a resolução do seu problema. 

Muitos estão a pensar em “abandonar o barco”, mas esperam que lhes seja pago, de preferência, todo o salário em atraso. Esperam também, já há algum tempo, que sejam enquadrados na função pública face a uma promessa que lhes tinha sido feito. 

“Quando fizemos o curso no Instituto Nacional de Estradas de Angola, em 2007, foi-nos dito, na altura pela governadora Francisca do Espírito Santos, que depois do curso todos teríamos um enquadramento directo no Estado. Até agora, as coisas não acontecem, já apareceram vários concursos público e nós somos esquecidos”, contam. 

O grupo é composto de cidadãos com idades compreendidas entre os 22 aos 52 anos, pelo que alguns estão preocupados com o avançar da idade, o que os coloca na situação de futuro ameaçado. Para agravar, dizem que têm sido descontados, quando recebem salário, a segurança social, mas tomaram conhecimento através de uma consulta que este dinheiro não tem sido depositado no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). 

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