Activista em Benguela denuncia “perseguição política”

O activista cívico Émerson Marcos diz estar a ser vítima de perseguição política por parte de membros do Serviço de Investigação Criminal, por ter filmado, a 24 de Junho, as demolições no bairro das Salinas. O SIC, por sua vez, refuta tais acusações, sustentando não ser sua missão, como órgão do Ministério do Interior, perseguir ninguém

Émerson Marcos aponta igualmente o dedo ao Governo Provincial de Benguela pela perseguição, de que diz estar a ser vítima juntamente com membros da sua família. Professor de profissão, Marcos denuncia que o salário teria sido bloqueado por causa do seu activismo, por alegadas “ordens superiores”, que não identificou, contudo.

O activista cívico tinha sido detido no passado dia 24 de Junho, por ter filmado as demolições nas Salinas, tendo, por isso, cumprido 29 dos 30 dias de prisão efectiva, depois de julgado e condenado pelo Tribunal da Comarca de Benguela, na sequência de um processo movido contra si pela Polícia Nacional, por alegado desacato à autoridade.

Apesar disso, o jovem promete prosseguir com o activismo que tem vindo a realizar a favor dos desprotegidos. Em relação ao que diz serem perseguições, Émerson Marcos diz ter dados que sustentem as suas afirmações.

“Pessoas próximas a mim estão a receber mensagens. Posso provar isso com imagens que tenho vindo a receber no facebook, whatsapp… Ou propostas de dinheiro volumoso para dar informação a meu respeito. Eu sou bem localizável, nunca escondi a minha casa”, sugere.

Segundo disse, a “perseguição política” de que é alvo tem sido alimentada, fundamentalmente, por elementos do SIC, que estariam a reunir informações a seu respeito, e aponta o dedo também a elementos do MPLA, partido a que diz pertencer.

“E é lamentável ver investigadores com um nível tão baixo. Sou professor, empresário (…) Acredito que vão querer procurar a minha empresa, vai ser uma perda de tempo, trabalho 100% online. As perseguições vêem de onde a gente pertence (MPLA)”, disse.

O activista refere que a perseguição é extensiva à sua actividade laboral como professor e não tem noção da última vez que recebeu o seu ordenado.

“O ataque não começou hoje, nem ontem. O mais-velho da cadeira sabe o que está a fazer”, disse, numa clara alusão ao governador Rui Falcão.

Assim como ele, há supostamente um outro activista, no caso a senhora Sara Paulo, que estará igualmente a sofrer perseguição. Ela também professora. De acordo Émerson, a direcção da Educação de Benguela, por causa do trabalho cívico que tem vindo a desenvolver, a teria mandado a assinar uma guia de transferência para um dos municípios do interior, como medida sancionatória.

“Não se pode esquecer que onde as pessoas estiverem vão sempre revolucionar mentes”, disse.

Educação reage às acusações

Numa comunicação, via telefónica, o director do Gabinete Provincial da Educação, Evaristo Calopa Mário, prometeu investigar o caso para aferir se a matéria em causa é de estrita responsabilidade do seu Gabinete, na qualidade de órgão superior, ou da de direcção municipal da Educação de Benguela.

Calopa Mário condicionou o seu pronunciamento, no âmbito do princípio jornalístico do contraditório, à audição do registo magnético da entrevista ao activista, não descartando, contudo, a responsabilização criminal e disciplinar de possíveis infractores. Mas, nos próximos dias se deverá pronunciar a respeito.

SIC quer provas

O SIC, entretanto, refuta as acusações, sustentando que a missão primordial desse órgão do Ministério do Interior é garantir a segurança do cidadão.

De acordo com uma alta patente daquela instituição, o aconselhável é o cidadão visado remeter junto do piquete uma participação sobre o caso.

A nossa fonte considera vaga as acusações do activista, razão por que o desafia a identificar os elementos envolvidos em tais perseguições, de modo a que venham a ser responsabilizados.

Constantino Eduardo, em Benguela

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