Adelta tem nas “mega campanhas” a fórmula para combater o lixo em Benguela

A Administração Municipal de Benguela tem promovido, aos finsde- semana, mega campanhas de limpeza, visando combater alguns focos de lixo numa cidade que perde para a do Lubango (Huíla) o estatuto de “cidades mais limpa da região Centro-Sul”

A falta de dinheiro estará, evidentemente, a causar enormes constrangimentos à administração de Adelta Matias, que se vê, deste modo, incapaz de contratar empresas de recolha de resíduos sólidos, tal é, diga-se, a avultada soma em dívida até aqui contraída, como esclareceu o Governo Provincial noutras ocasiões.

Para lá da escassez de recursos financeiros, Rui Falcão, governador de Benguela, reconheceu várias vezes que a recolha de lixo teria aguçado o “apetite” de alguns dirigentes do seu partido, que tinham na actividade o meio para chegar ao erário. De tal sorte que cerca de 40% do orçamento da província era destinado à recolha de lixo.

Face ao cenário e valendo-se das suas prerrogativas legais, desmantelou vários interesses e redes, vendo-se, assim, obrigado a ensaiar outro modelo de recolha de resíduos, tendo introduzido, para o efeito, micro-empresas no “negócio”.

A estratégia de Falcão, infelizmente, não vingou. Não tinham passado seis meses e as empresas já estavam a queixar-se de que os 100/200 kwanzas que cobravam aos cidadãos pelo serviço prestado não suportavam os custos operacionais.

De lá para cá, os municípios do litoral, para citar apenas estes, se têm visto “afogados” em lixo, facto que era impensável há sensivelmente seis anos.

Para inverter o actual quadro, a administradora Adelta Matias está a promover mega campanhas de limpeza em toda extensão de um município com mais de 700 mil habitantes, agregando seis zonas.

A titular do órgão de gestão da Administração de Benguela apela ao envolvimento de vários segmentos sociais, de modo a resgatar a mística do município sob sua jurisdição.

“Nós temos de manter esta iniciativa, porque queremos resgatar a mística da cidade limpa”, prometeu à imprensa, para logo a seguir enaltecer o envolvimento das forças de defesa e segurança.

De acordo com um empresário que se dedicava à limpeza da cidade, por maior que seja a boa vontade de Adelta para promover acções dessa natureza, vai mesmo precisar de recursos financeiros, se quiser, de facto, combater o lixo.

Sob anonimato, o cidadão, cuja empresa sentiu o efeito das “varreduras” de Falcão, sugere que o lixo exige avultadas somas em dinheiro devido à engenharia que implica a sua gestão. “Louvo, mas não são essas campanhas que vão resolver o problema de Benguela”, manifestou.

O chefe de secção do Saneamento Básico da Administração de Benguela, Gabriel Adelino, afirmou que, nesta empreitada de recolha de resíduos, o município está a contar com o apoio de empresários que deverão ajudar a Administração a combater determinados focos de lixo.

Nesta altura, sublinha Gabriel Adelino a OPAÍS, de entre os focos que mais preocupam a Administração de Adelta está o da zona das Capiras, numa vala de drenagem. É intenção do município, disse, combatê-lo agora, não vá o período chuvoso causar outros problemas.

Constantino Eduardo, em Benguela

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