Covid-19 pode multiplicar-se exponencialmente a partir deste mês

Estudos apontam que em Agosto o número de pessoas infectadas pela Covid- 19 pode rondar entre 4 mil e 079 a 6 mil e 600. Para o mês de Setembro, a previsão é de subida, para entre 17 mil e 415 e 45 mil e 118 casos, revelou, ontem, o vice-reitor para a área Científica da UPRA, José Ribeiro

José Ribeiro disse, na sessão de actualização dos dados da Covid-19, que nos últimos meses tem estado a fazer estudos e extrapolações matemáticas sobre o possível aumento de casos de Covid-19 no país.

“Os números podem ser maiores ou menores em função as medidas tomadas para reduzir a taxa de crescimento”, frisou.

Segundo o académico, em demografia, até ao dia de ontem os estudos apontavam para mil e 160 casos de Covid-19, sendo que o número real foi de mil e 78. A tendência de crescimento de números de casos é o método geométrico, descartando o linear.

Nesta pesquisa, foram calculadas as taxas de crescimento dos meses de Abril, Maio e Junho e de 3,5 por cento que passou de 1,4 por cento ao dia, que dá uma diferença de 17 por cento. Até ao mês de Setembro poderá registar-se uma taxa de 6,6%.

“Para sermos mais assertivos, fomos buscar outros cenários, em que se prevê uma taxa de estabilização de 4. 8 por cento que se iria manter no mês de Junho e também em Agosto. No terceiro cenário, as taxas podem sofrer um decréscimo”, explicou.

Com base na taxa de crescimento, foi aplicado um modelo para os cenários pessimista, moderado e optimista. Por outro lado, explicou que a metodologia utilizada para o referido trabalho pode ser feita de três maneiras nomeadamente extrapolações matemáticas, projecções e as estimativas.

Na sua abordagem, o economista explicou que foram os dois modelos da extrapolação matemática, o linear, (a cada unidade de tempo é acrescentado um número constante ao já existente de contaminados) e geométrico exponencial (cada unidade de tempo uma taxa constante é acrescida ao número de casos da população de 4% ao dia).

José Ribeiro disse que o principal objectivo do estudo é saber qual será a tendência nos próximos meses.

Esclareceu ainda que as extrapolações matemáticas partem do princípio em que a tendência recente de uma determinada variável é assumida como aquela que irá acontecer nos próximos tempos.

Por outro lado, o método de projecções também é utilizado a extrapolações matemática, contudo, dá a possibilidade de o profissional definir alguns pressupostos, que no caso da Covid-19 poderiam ser variáveis, caso não se verifique a não violação de cerca sanitárias.

Impacto nos serviços de saúde

Tendo em conta a informação de que 80 por cento dos casos de Covid-19 são assintomáticos, em princípio, não necessitariam de internamento, já 15 por cento dos casos precisam de internamento e 5 por cento necessitam de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). É a previsão de números de casos para o mês de Agosto e Setembro, em que seriam precisos perto de 2 mil e 266 vagas para UTI.

No período de confinamento, a tendência de crescimento de casos de Covid-19 era de um crescimento mais lento (linear). Após o confinamento a tendência de números de casos passou a ser mais acelerada (geométrica).

O académico apelou ao reforço de medidas para cortar a cadeia de transmissão de números de casos de Covid-19 no país e adaptar estratégias de tratamento dos assintomáticos. Caso não se tome medidas, o sistema de saúde não terá capacidade de resposta.

Medidas preventivas e visão epidemiológicas sanitárias

O reitor da UPRA, Pinto de Sousa, lembrou que o país viveu dois períodos, nomeadamente o estado de emergência e a situação de calamidade pública. Do ponto de vista do estado de emergência, registou-se o surgimento de casos importados de Covid- 19, de transmissão local; e no estado de calamidade constatou- se a transmissão comunitária, a partir do dia 15 de Julho.

“Os objectivos prendem-se em detectar precocemente os casos e reduzir e conter a contaminação da pandemia da Covid- 19. Outro objectivo passa por impedir a cadeia de transmissão de novos casos”, salientou.

Segundo o médico, a estratégia passa por reduzir o número de casos. O método usado servirá para medir a gravidade da doença, taxa de mortalidade e a transmissão do agente, que é muito elevada.

“No grupo de alto risco, foram identificados três sub-grupos, nomeadamente o das paragens de transportes públicos, o dos mercados e o dos restaurantes”, disse.

Segundo ele, quanto maior for a exposição, maior é o risco de contágio e de transmissão comunitária de casos assintomáticos de Covid-19. O académico apelou ao isolamento saudável e quarentena, já que aos casos assintomáticos deve ser feito um acompanhamento de proximidade.

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