Editorial: Sofrimento não se encoberta

Jornal OPaís edição 1914 de 30/07/2020

O Governo angolano reagiu de pronto a uma reportagem emitida pelo canal televisivo português SIC sobre centenas de crianças angolanas em risco, supostamente na província de Luanda, algumas malnutridas, todas desprotegidas, todas a necessitar de cuidados.

O Governo não reagiu crispado, não viu no mensageiro um inimigo, como ainda hoje acontece, e muito, em Angola, fixou-se no essencial: nos direitos daquelas crianças e na obrigação do Estado de as salvar e proteger. E assumiu essa sua obrigação, pediu com lúcida humildade que o canal comunique a localização das crianças (as imagens são horríveis). Assumiu que mais do que a imagem do Governo ou do Estado que podem ser tocadas pela reportagem, o mais importante é a vida dos menores.

Divulgar a reportagem sem localizar o palco da sua ocorrência, é como esconder o local onde sofrem crianças que a qualquer momento podem perecer sem a oportunidade de serem ajudadas. Não é apenas o Governo a quem cabe procurar pelos menores, é a todos os angolanos, a todas as pessoas de bem.

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