Falta de recursos financeiros dificulta execução de projectos e sustentabilidade do grupo folclórico angolano Nguami Maka

O colectivo formado a 20 de Abril de 2000, por um quinteto de jovens, à semelhança do tradicional Kituxi e seus Acompanhantes, tem-se concentrado na preservação e na transmissão de valores culturais, um legado dos mestres da nossa música folclórica para as gerações vindouras

A escassez de recursos financeiros e de outros meios indispensáveis à produção discográfica e não só, está a dificultar a execução de projectos e a sustentabilidade do grupo folclórico angolano Nguami Maka.

A informação foi avançada esta Quarta-feira, 29, a OPAÍS, por Jorge Henriques Mulumba, líder e fundador desta formação artística. O grupo, que por sinal é um dos poucos que ainda persiste no domínio da música tradicional, em Luanda, tem apenas um disco gravado e lançado, em 2009, com o título “Ngongo”, um tema em Kimbundu, que traduzido para o português significa (Sofrimento).

Trata-se de um CD com 13 faixas musicais nos estilos semba, kilapanga e rumba, gravado na Woofer Áudio, em Luanda, e masterizado no Brasil.

Com o foco no resgate de valores para manter a dinâmica cultural, que dizem sentir perdido, sobretudo por jovens, este grupo folclórico tem perpetuadas canções com bastante informações educativas para servir de continuidade de um tempo tão distante.

Jorge Mulumba, que também é líder fundador do grupo e executante do hungo, da puita, da dikanza e do kisanji, referiu que cada elemento no colectivo, enquanto artista, executante, tem tarefas acrescidas para levar a referida formação a bom porto e com o pensamento empreendedor, que tem sido primordial para a sua sustentabilidade.

Com um reportório espelhando o quotidiano social, o grupo Nguami Maka, apresenta-se em palco com vestes tradicionais como blusões, panos e missangas que se juntam a outros adornos sobre a cabeça, instrumentos tradicionais, e duas a quatro bailarinas para as coreografias, uma representação da Costa Atlântica de Luanda, Ilha e Samba.

“São músicas que falam da mãe que partiu muito cedo e deixou filhos pequenos, a mulher que gerou apenas um filho, o desrespeito aos pais, a língua afiada que causa muitos problemas enfim”, realçou. De acordo com Jorge Mulumba, o Nguami Maka, tem como fontes de inspiração o grupo Kituxi e Seus Acompanhantes, e, para isso, tem hoje um trabalho do ponto de vista nacional onde vai apreciando e ganhar algum gosto por outros artistas e grupos do antigamente como o Ngola Ritmos.

“O nosso reportório está concentrado no resgate cultural e continuará sempre para imortalizar as canções com bastante informações educativas para servir de continuidade de um tempo tão distante, em que nem sequer estávamos nascidos”, disse.

Indagado quanto à recolha de elementos para as suas composições, Mulumba realçou que é feita em função da apreciação que fazem e vai de encontro com o que pretendem, mas a zona de conforto é a região ambundu área dos kimbundu. No seu entender, são músicas do cancioneiro e muitas delas com autoria desconhecida.

A Covid- 19 Não obstante as dificuldades já referenciadas, Mulumba salientou que, com o Estado de Calamidade Pública em curso, o grupo Nguami Maka, tem-se dedicado à criação de novos trabalhos num remate de projectos para o pós Covid-19. Sublinhou que antes do Coronavírus ou mesmo do Estado de Emergência, o grupo gozava de boa saúde, quer em termos de ensaio, quer em termos de actividades e projectos como convidados.

O líder desta formação artística admitiu que é extremamente complicado trabalhar nestes moldes, uma vez o trabalho do colectivo envolve um público maior e a pandemia assim não o permite.

“Estamos desde 2009 sem lançar uma outra obra discográfica”. Jorge Mulumba recordou que o grupo já teve momentos áureos em termos tournées e os mais relevantes foram a gravação do CD, tourné com Paulo Flores em Luanda, o concerto Grupo Kituxi 25 Anos, o Festival em Macau, China, o Show do Mês Ary, entre outros.

Já os momentos mais difíceis são quase diários. “Basta começar a projectar uma ideia, ela é sempre difícil até à sua concretização, mas foi na altura para a gravação do nosso CD, que houve noites sem dormir, risos”.

Percurso

O Grupo Nguami Maka, fundado no Marçal a 20 de Abril de 2000 por Jorge Mulumba, vocalista principal e tocador do hungo, da pita, do kisanji e da lata, é constituído por 7 elementos: Nando Francisco, (Ngoma Solo), Paulo Venâncio, tocador de Ngoma Base, Pascoal Caminha (Mukindu) e João Manuel (Dikanza), incluindo duas bailarinas, Eva Correia e Eva Bundo.

O grupo já participou em vários concertos fora e dentro do país, entre os quais Zâmbia, Brasil, Portugal, Korea do Sul, China e Alemanha. Embaixador do COCAN, Festival Zwa, Muamba, Raíz da Alma projecto do músico Paulo Flores, Feiras das cidades e municípios em Luanda e Benguela.

Incluindo o Show do Mês Ary, concertos de jazz com o Trio slowox da Alemanha, em Luanda, e concerto Te Macedo.

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