Recenseamento Agro-Pecuário e Pescas a arranca amanhã em todo o país

O Instituto Nacional de Estatística (INE) dará início, na Sexta-feira, 31, ao Recenseamento Agro-Pecuário e Pescas (RAPP), com cerca de 825 recenseadores em campo em acções em todas as 18 províncias

Trata-se do primeiro censo de recolha, processamento e disseminação de dados dessas três áreas no período pós-independência de Angola. O RAPP terá extensão nacional.

Coordenado pelo INE, tendo como órgãos coadjuvantes os Ministérios da Agricultura e das Pescas e, ainda, apoio técnico do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FAO). O RAPP fará o levantamento dos dados que permitirão a Angola conhecer a estrutura dos referidos sectores como, por exemplo, a quantidade de unidades agro-pecuárias, sua distribuição espacial e tipos de propriedades, assim como informações sobre uso e aproveitamento da terra e posse, e meios de produção nos níveis provinciais e comunais.

Também entrarão nas estatísticas a dimensão da superfície de pastagem, a distribuição geográfica do gado e das aves, assim como o volume de pescado produzido, dentre outros dados. Cerca de 825 recenseadores estarão em campo em acções nas 18 províncias, onde contarão com apoio de estruturas nas províncias e municípios.

Os técnicos do INE contarão ainda com os reforços das autoridades tradicionais, os sobas, que darão apoio na sensibilização das comunidades para que seja percebida a importância do RAPP e da qualidade da colecta a ser feita junto aos agregados familiares entrevistados na amostragem.

Fase piloto

Antes de entrar em campo, o RAPP realizou uma experiência piloto em cinco províncias Cuanza-Sul, Benguela, Uíge, Cunene e Moxico, executada no campo por 70 recenseadores, divididos em 10 equipas. Nesta fase, foram aplicados quatro tipos diferentes de questionários: de listagem dos agregados familiares nas aldeias; comunitário ou das aldeias; das explorações agro-pecuárias e piscatórias familiares; e das explorações modernas ou das médias e grandes empresas agropecuárias e aquícolas.

O trabalho do INE abrangeu ainda a elaboração dos documentos técnicos (plano de tabulação, questionários, metodologias, estratégias e manuais de instruções); avaliação dos questionários (teste inicial); teste dos questionários, metodologias e estratégias e revisão dos questionários.

A operação de recolha de dados das três áreas é inédita no período pós-independência.

O RAPP será realizado em quatro momentos, começando pela aplicação do questionário comunitário ou das aldeias para identificação das infra-estruturas e serviços básicos, caracterização de fenómenos meteorológicos anormais e dificuldades para produzir e escoar produtos do campo. Em seguida, será o momento da aplicação do questionário de listagem dos agregados familiares, para identificar e localizar os que se dedicam por conta própria à actividade agro-pecuária e piscatória.

As duas outras etapas serão para a aplicação do questionário das explorações familiares para caracterizar as explorações, uso da terra e as práticas agrícolas e, por fim, a aplicação do questionário das explorações empresariais.

Segundo dados da equipa técnica do INE, para os questionários comunitário ou das aldeias e de listagem serão visitadas todas as aldeias do país e todos os seus agregados familiares. Para o questionário da exploração familiar, o universo estimado é de mais de 2.700.000 agregados, em todo o país.

Já entre os que praticam actividade agrícola por conta própria, será inquirida uma amostra da ordem de 52.552 famílias.

De acordo com o Coordenador Técnico do RAPP, Domingos da Silva, “esta operação estatística permitirá definir a estrutura e factores de produção do sector da agricultura, pecuária e pescas em Angola e os seus resultados apoiarão a tomada de decisões pelo Executivo, investidores, académicos e outros utilizadores nacionais e internacionais”.

O país passará a contar, após o RAPP, “com uma base fiável para realizar inquéritos agro-pecuários e piscatórios por amostragem com fins de produzir estatísticas correntes, além de conhecer a localização geográfica e poder caracterizar as explorações agro-pecuárias e piscatórias”.

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