Baleia encalha na costa de Benguela

Uma baleia adulta, de 17 metros de cumprimento e um de largura, encalhou, já morta, na tarde de Quarta-feira, 29, na costa de Benguela, concretamente na conhecida zona balnear do “Pequeno Brasil”. O ambientalista João Buaio defende a remoção urgente do mamífero

Os pescadores que exercem a sua actividade nesta zona afirmam que viram o animal pela primeira vez há pelo menos uma semana, e manifestam-se preocupados com a sua presença. 

No entanto, segundo apurou OPAÍS, as autoridades marítimas dizem que só agora poderão fazer esforços nesse sentido, por terem sido alertadas apenas na tarde de Quarta-feira, num momento em que o mamífero se encontra em estado avançado de putrefação e a deitar um cheiro nauseabundo. 

O nosso interlocutor, que não se quis identificar, alerta que inteiro como está, dada à dimensão do animal, as autoridades vão encontrar dificuldades para o remover, pelo que sugere o esquartejamento em pedaços do “gigante do mar”. 

À volta do animal, estavam pessoas provenientes de vários bairros adjacentes, com destaque para os do Tchioxe e Matadouro, que aguardavam apenas por uma oportunidade para esquartejar o animal para consumo e para a obtenção o óleo para fins medicinais. 

O tratamento final do mamífero gerou alguma celeuma, pelo facto de a Capitania do Porto do Lobito se ter limitado na remoção do animal do mar para a praia, atribuindo aos demais órgãos do Estado, como a Administração Municipal de Benguela, a missão de lhe dar o destino final. 

O delegado da Capitania do Porto do Lobito, Custódio Manuel, afirmou que aquilo que competia à sua instituição foi feito, pelo que caberia a outros órgãos dar outros passos inerentes ao aterro do mamífero numa zona que não precisou.

Custódio Manuel esclareceu que não se vai atender a interesses de populares, advertindo, porém, que o animal não está apto para o consumo e, por isso, vai ser enterrado.

Segundo apurou este jornal, o atraso que se verificava na remoção do animal, cuja causa da morte ainda está por determinar, se devia à falta de meios técnicos. No entanto, passadas algumas horas surgiram os meios necessários e o processo de remoção do animal durou sete horas.

Atendendo a dimensão do animal, foi necessário um camião com trailer, uma charrua entre outros meios.

Solicitado a prestar informações a respeito, o administrador municipal adjunto para a Área Técnica e Infra-estruturas, Jeremias Ndakayassunga, optou por não responder a perguntas.

Ambientalista sugere retirada imediata

O ambientalista João Buaio sugere que se remova o animal o mais rápido possível, de modo a não causar danos ao meio ambiente, tendo em atenção o estado em que se encontra.

João Buaio sustenta que a corrente fria de Benguela, por influenciar a movimentação de peixes, estaria na base do aparecimento da baleia na costa. As baleias, continua, por norma, vivem em latitudes mais altas, zonas bem próximas aos pólos. Como neste período naquelas zonas as águas são quentes, e as nossas frias, a tendência é deslocar- se, devido à movimentação do cardume.

“Durante esse percurso, podem ter acidentes com embarcações ou ficar presas em redes de pescas, ou comer um objecto que lhes pode influenciar a saúde”, explicou.

Por o animal se encontrar em decomposição, o especialista defende a necessidade de se remover urgentemente o cadáver, de modo a não causar outros danos ao meio ambiente.

“Os animais em decomposição podem, por intermédio do cheiro, emitir substâncias nocivas. O que se deve fazer é a remoção do animal, por ser uma zona balneária”, disse.

O especialista adverte que se tenha cuidado quando se for aterrar, porque pode, no estado em que se encontra, soltar substâncias nocivas ao lençol freático e o solo deve ser bem compactuado.

Constantino Eduardo, em Benguela

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