Motores ligados

Não se está a falar sobre o assunto em Angola, mas, mesmo em tempo de Covid-19, os motores políticos já estão a aquecer. Faltam dois anos para as eleições gerais de 2022. Na verdade, contando que pelo menos seis meses serão vividos já em clima pré-eleitoral, falta ano e meio. E ninguém terá a vida fácil.

Até lá, muito dificilmente o Governo conseguirá inverter a situação económica, embora possa fazê-la estagnar e chegar com sinais de retoma, o que é muito bom. A esperança é, talvez, o mais importante activo para quem vai a eleições. E esta esperança pode surgir de um terreno altamente pantanoso e ao mesmo tempo um guarda-chuva objectivo e inegável: quase todo o tempo da governação está a ser marcado pela crise económica que vem de trás, pela crise do petróleo que vem de trás e que se acentuou, sendo uma questão de conjuntura internacional, e pela pandemia do novo Coronavírus. Portanto, o Governo tem tudo para ser ilibado de males e para pedir uma nova oportunidade.

Entretanto, todos estes problemas podem conduzir a uma crise política. Tudo depende da forma como o Governo manobrar para a evitar ou para sair dela em grande. A partir de agora cada dia conta, cada passo conta.

A Oposição tem também as suas makas. Pode procurar tirar partido da situação económica e muito mais se o Governo não jogar devidamente a carta da esperança. A degradação da situação social pode ser tentadora para precipitar uma crise política, mas o guarda-chuva do Governo está aí e será fácil lidar com tal tipo de Oposição. Esta terá que esperar que o azar conjuntural do Governo dure e que este cometa erros de palmatória. E mais, que a Covid faça muitos estragos, mas tentar tirar partido da dor do povo é algo que pode fazer boomerang. Vamos seguir a corrida.

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