Mulheres sem nome

Já ouvimos falar do #MeToo, do #Black lives matter, já ouvimos falar do movimento Okupas, enfim, há muitas batalhas ainda por travar, uma prova da constante imperfeição das sociedades humanas. A vidas está longe de ser uma maravilha.

E agora dei com uma matéria da BBC sobre um movimento que muita gente duvidaria que fosse necessário.

#WhereIsMyName é uma campanha no Afeganistão, país onde as mulheres devem ocultar o seu próprio nome até ao seu médico. Quando morrem, podem nem ter o nome na lápide. E se tiverem registo de nascimento…

Imagine-se uma mulher sem o registo do seu nome na certidão do seu óbito, que ao nascer, pode chegar aos cinco anos sem nome, que, ao tê-lo, não o pode revelar a ninguém na rua, aos vizinhos, etc.. e quando se casa pode mandar convites de casamento em que o seu nome não vem escrito. Se calhar faz sentido, já que elas andam cobertas da cabeça aos pés…

Mas “Isso não pode continuar assim”, nem mesmo num país altamente conservador. Quem assim pensou e começou a agir, inconformada, é Laleh Osmany, moradora da cidade de Herat. Ela reivindica o direito ao básico: a identidade própria.

Laleh Osmany quer que as mulheres deixem de ser apenas mulher, mãe, ou irmã de um homem, quer que elas tenham nome, que sejam pessoas únicas, como deve ser com qualquer ser humano.

É o ponto zero. Quando uma mulher tem de ter o seu próprio nome escondido, quando até pode não o ter registado em parte alguma, que outro direito pode ela ter?

Ontem o continente comemorou o Dia da Mulher Africana, lembrei-me que por cá também há mulheres que para a sua existência têm apenas o nome. Nada mais. Há situações em que a humanidade dói, de tão complexa que é.

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