WEMITA !…*

Maravilha, mulher bonita, fazia tempo, não engravidava. Desde que casou, já lá vão uns bons anitos, período fértil, vem e vai vem, nada que se vê. 

Seu rosto, outrora alegre, perdeu feição, seu semblante é de tristeza, carrega o peso da amargura, ante tamanho infortúnio. 

Na família, conversa não era outra, as tias mais assanhadas, não paravam de questionar, entre ambos os dois, quem era mbako, qual o enguiço, a praga era matula. 

A ansiedade e o nervosismo, rápido se apossaram do casal, a relação começou a azedar, a definhar, por tudo e nada, só se bifar, cada um culpabiliza o outro, maka do kaiaia. 

Ninguém cruzava os braços, consultas sem cessar, no país e no estrangeiro, médico ou xiranga, tanto faz, resultado sempre igual a nada. 

Maravilha, mulher bonita, seu olhar era só desespero, já não sabia mais o que fazer, a quem recorrer, angústia invadia a alma, era só orar, chorar em silêncio. 

Na cabeça do esposão, minhocas mil, quer saltar a cerca, experimentar fora, tentar a sorte, em outras paragens, outras latitudes. Corona chegou, todos acantonados, bem juntinhos em casa, o milagre não tardou, maravilha engravidou, a barriga a crescer, três mesitos já no bucho, alegria incontida. 

Maravilha, mulher bonita, wemita, engravidou em tempos de pandemia, de confinamento, sem que nada o fizesse prever, o mambo pegou, o mona está a caminho, com a graça de Deus. 

Na família, todos a esfregar as mãos de contente, de casa ninguém sai, é só ficar à espera, do dia certo, menino ou menina, o kandengue ainda não tem nome, somente alcunha, Covid!… 

*Está grávida 

João Rosa Santos

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