Carta do leitor: Medidas e desmedidas nesta fase da COVID-19

Ester Emanuel

Prezado director,

Agradeço pela oportunidade que me é concedida. Luanda, a cidade de todos, mas também é onde, infelizmente, se observa os maiores incumpridores no que concerne às medidas de segurança e protecção na luta contra a Covid-19. 

A Comissão Multissectorial, apelou várias vezes à consciência dos cidadãos para que respeitassem as cercas sanitárias, e foram ainda estipulados os dias para a venda informal. Tudo isso para evitar a propagação da Covid-19, e ainda com medidas mais apertadas para os incumpridores, infractores que seriam severamente punidos, depois de muitos apelos aos angolanos para o cumprimento das medidas sanitárias. Mais o problema de consciencialização da dimensão do problema que estamos a enfrentar. 

O resultado da leviandade das pessoas, infelizmente, tem influenciado no aumento de casos positivos da Covid-19, segundo informações que vimos acompanhado neste mesmo jornal e também por outros órgãos de comunicação social. Acredito que a intenção é boa, com multas, etc., o aperto das medidas e com multas pesadas. 

Até há alguns dias ainda estávamos, em termos de números de contágio, nas dezenas, e hoje já estamos aos milhares. Pelo que tenho vindo a observar, principalmente em Luanda, as medidas só são cumpridas à risca nos primeiros dias da sua implementação, e passados dias, o que se observa por parte da população é a total ignorância. 

E também a Comissão Multissectorial está quase sempre a justificar alguns casos que têm vindo a aparecer noutras partes do país afirmando que os indivíduos que acusam positivo no teste furaram a cerca sanitária ou fugiram dos centros de quarentena. 

Se a província do Cuanza-Norte, aparentemente registou os casos positivos pela proximidade com Luanda, e Moxico porque o homem fugiu de Luanda, e posteriormente, depois de se envidar esforços para a sua localização, foi encontrado no Moxico, já não sei e nem estou a entender nada. 

Só acredito que o melhor mesmo é olharmos mesmo para os nossos quadros da medicina, seja convencional como a medicina natural. 

E não menos importante, há necessidade de se ir experimentando o modelo de quarentena domiciliar. Esta é uma chamada de atenção aos decisores. 

Se estamos a lidar com um inimigo invisível, já é hora de ouvir também outros especialistas, os nossos especialistas que entendem das nossas folhas e raízes, o que despende poucos recursos. A exemplo do que outros países têm feito. 

 

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