Cazenga com apenas 36% de abastecimento de água potável

O administrador do município do Cazenga, Albino da Conceição José, disse que o seu polouro está a trabalhar para melhorar o fornecimento de água potável naquele que já foi o município mais populoso de Luanda, com a construção e reabilitação de chafarizes, dentro do Plano de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza. A falta de saneamento básico ainda preocupa e tudo está a ser feito para minimizar o impacto no município

Embora o município do Cazenga não seja mais o mais populoso de Luanda, é o que tem a maior densidade populacional, segundo o administrador Albino da Conceição. A região não tem para onde crescer, com apenas 46 quilómetros quadrados, e de acordo com os dados do INE, neste ano, o Cazenga conta com um milhão e 600 mil habitantes, o que dá (mais ou menos), de ocupação de território, 22 mil habitantes por km2. 

A administração ficou a saber, depois de feito um plano estratégico do município, que apenas 36% da população tem abastecimento de água potável de forma regular, e não se tem a esperança de resolução imediata deste problema por parte da EPAL. 

Em função desta realidade, a Administração, junto com a comunidade, acertou que se reactivasse os chafarizes antigos, para além de se construir outros, dentro do Plano de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza. Entretanto, no bairro Comandante Bula e no Malueca foi instalado um chafariz em cada localidade. 

Nas escolas, o administrador explicou que por causa da pandemia da Covid-19, embora não estejam a fornecer merenda escolar, estão a trabalhar com as questões de bio-segurança definidas pelo Ministério de Educação e estão longe de cumprir o estabelecido, por causa do fornecimento de água que ainda não é o que se espera. 

Para abastecer os tanques das escolas, a Administração faz ciclos semanais ou de 15 em 15 dias. Com o arranque das aulas seria necessário abastecer a cada dois dias, o que não seria possível, tal rotatividade, tendo em conta a capacidade das cisternas de água da Administração. 

Nesta senda, contam também com o apoio do programa de distribuição de água da EPAL e, das 113 escolas existentes no município, apenas quatro escolas estão abastecidas com água. 

Distritos com maiores indicadores de pobreza

O administrador explicou que começou a exercer as suas funções em Agosto do ano passado e, em Dezembro, apresentou o plano estratégico de desenvolvimento e combate à pobreza no Cazenga. O diagnóstico feito dava conta de que os maiores indicadores de pobreza estão nos distritos urbanos 11 de Novembro, Kima Kieza e Kalawenda, para além de serem os que têm menos escolas públicas.

Apesar de aqueles serem os distritos com menos escolas públicas, não são os que têm mais crianças fora do sistema de ensino. Feito um levantamento, concluiu-se que, embora haja indicadores muito altos de pobreza, uma parte dos moradores construiu anexos e os arrendou. O dinheiro da renda tem servido para pagar o colégio dos filhos.

Entretanto, fora da verba para o combate à pobreza, existe uma outra verba para a construção de escolas e, nesta, estão previstas a escola de 12 salas no Kima Kieza e uma com o mesmo número de salas no 11 de Novembro, bem como uma de sete salas no Kalawenda.

Saneamento básico ainda preocupa

Albino da Conceição afirmou que a situação urbana do seu município é complexa, há muitas áreas onde não se cumpre o ordenamento do território e, onde registam alguma ordem, não há saneamento básico. Sem saneamento básico, têm as vias em constante degradação, o que influencia na convivência entre as pessoas.

O processo da macrodrenagem ainda não foi concluído, o que tem dificultado também, e a população usa as vias rodoviárias como depósitos para as águas domésticas. Para melhorar o quadro a Administração tem feito o trabalho de regulamentação das vias, com os meios disponíveis, e nalguns casos recorrem também à prestação de serviço.

Assim, fez-se terraplanagem, com o dinheiro do Plano de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza, no distrito 11 de Novembro, Via do Ex-Calaboca, mas que em pouco tempo, por causa das águas residuais, acaba por se estragar. Fez-se na rua El Shadai, Maya Loureiro e na Rua 1 do Tala Hady.

O restaurante da “polémica”

Um assunto que levantou polémica naquele município é o facto de ter sido cabimentada verba do combate à pobreza para a construção de um restaurante. Sobre este assunto, o administrador explica que, no âmbito do empoderamento, consta no plano de combate à pobreza esta opção. 

Têm trabalhado com as comissões de moradores no sentido de ajudarem na elaboração dos termos de referência (quem pode concorrer à gestão do restaurante, se todos os munícipes do Cazenga ou apenas os do distrito do Hoji-ya-Henda, onde estará localizado. E se será um grupo de mulheres, empresa ou um indivíduo). A obra ainda não terminou e, por isso, ainda não se lançou o concurso público.

“Uma das questões que a Administração determinou é que quando o estabelecimento estiver a funcionar, será proibida a venda de bebida alcoólica, no sentido de não fomentar o consumo deste tipo de droga no município”, afirmou Albino da Conceição.

O restaurante trará emprego aos jovens da zona, será a própria comunidade a fazer o trabalho e a gerir, por isso, vê-se ali uma reflexão no combate à pobreza e empoderamento da comunidade.

Para além do restaurante que está em construção no Hoji-ya- Henda, existem mais três estruturas similares em construção, com dimensões pequenas, nos bairros Cariango, Vila Flor e no São Pedro. Estes são projectos da administração anterior, o problema é que os gerentes não davam qualquer contribuição que depois se reflectisse na vida da comunidade.

Está-se a mudar isso, no âmbito do retorno das verbas arrecadas no município, pois estão a acertar com as comissões de moradores se o contributo dessas estruturas será feito directamente neste órgão ou via portal do munícipe.

Cuidados primários de saúde virados para a Covid-19

Ainda com os valores do Programa Integrado de Desenvolvimento Local, no município do Cazenga, a direcção administrativa, investiu também valores em cuidados primários de saúde, sendo que uma parte foi canalizada para direcção municipal de saúde, onde foram constituídas equipas de resposta rápida ao atendimento do Covid-19.

Segundo o administrador, a acção permitiu manter as equipas em funcionamento durante os 47 dias em que parte do bairro de São Pedro estava sob cerca sanitária, “apesar de se registarem reclamações, por parte dos cidadãos, mas a situação, do ponto de vista médico, estava controlada”.

De acordo com Albino da Conceição, actualmente, há déficit em termos de material de bio-segurança, isto porque o material para uso na pandemia do Covid-19 não é reutilizável, e previam que a situação fosse permanecer por um período longo. Pelo facto, por agora estão a procurar fazer novas aquisições de material de bio-segurança. Sobre a promoção e o empoderamento das mulheres, se prevê adquirir kits de salão de beleza, fornos eléctricos, motas de três rodas para uma cooperativa de jovens que realizam limpeza em algumas áreas do município.

Recursos internos também ajudam

As verbas adquiridas com as taxas e outros emolumentos são aplicadas também para o bem do munícipe, segundo aquele diregente, pois é assim que, com estes valores, a Administração tem comprado cimento e entregue à comissão de moradores para efectuarem trabalhos que venham dar uma certa dignidade aos moradores. 

Uma das melhores experiências foi a pavimentação do beco 40, no mercado Asa Branca, desenvolvida pelos moradores. No mercado dos Kwanzas está-se a fazer o mesmo trabalho. 

O administrador explicou que, antes os vendedores dos mercados não aceitavam que se pavimentasse, porque defendiam que, por causa da tradição, deveriam ter os seus lugares “nus” para enterrar o “tratamento” que faria o negócio correr bem. 

“Depois de muita sensibilização, as pessoas já aceitam, mas, antes, tivemos de explicar que as condições de venda seriam melhoradas, assim como a clientela, que passaria a vir aos mercados mesmo depois das chuvas. Para além de pavimentação colocamos também a cobertura geral, de modo a evitar panos e sombrinhas que dão um cenário menos bom aos mercados”, reforçou. 

Romão Brandão e Stela Cambamba

error: Content is protected !!