FNLA recorda Holden Roberto no meio de divergências internas

Em alusão ao 13º aniversário da morte de Álvaro Holden Roberto, primeiro presidente da FNLA, a assinalar-se amanhã, 3, esta força política realiza, neste Domingo, às 10 horas, em Viana, uma palestra subordinada ao tema “Holden Robertouma vida por Angola e pelos Angolanos”

Presidirá a palestra o líder da FNLA, Lucas Ngonda, num encontro que pretende reunir militantes, simpatizantes e amigos da FNLA no complexo 15 de Março.

O secretário para a Informação deste partido, Jerónimo Makana, avançou que a palestra tem como finalidade honrar a memória daquele nacionalista e pai do nacionalismo angolano, falecido, por doença, em Agosto de 2007, em Luanda.

Durante o acto, será destacada a “vida e obra” de Holden Roberto, dando a conhecer à sociedade, sobretudo à juventude, os feitos realizados por esta figura incontornável da história de Angola.

Entretanto, a homenagem ao fundador deste partido decorre numa altura em que a sua força política continua a enfrentar uma crise de liderança, decorrente de divergências internas entre os militantes Lucas Ngonda e Ngola Kabangu.

Passados 16 anos, esta força política continua desentendida depois do fracasso de várias tentativas de aproximação entre as partes desavindas.

A crise agudizou-se com o surgimento de várias alas que lutam por uma reunificação ainda não conseguida, cujas consequências estão a fragiliza-la, cada vez mais, correndo o risco de ser extinta nas próximas eleições gerais, previstas para 2022.

Hoje, apesar de a FNLA ter uma direcção liderada pelo deputado Lucas Ngonda, enfrenta divergências com Ngola Kabangu, Fernando Pedro Gomes e Tristão Ernesto, que representam as cisões.

Depois do fracassado “Congresso da Reconciliação” realizado em 2004, ainda na presença de Holden Roberto, derivado da violação dos acordos por ambas as partes, tudo ficou mais difícil.

Nem mesmo com a mediação do Comité Inter-Eclesial para a Paz em Angola (COIEPA), integrado por figuras eclesiásticas como os respeitáveis reverendos pastores Ntoni-A-Nzinga, Luís Nguimbi, e o padre Luís Konjimbe, foi possível encontrar-se uma solução interna.

A crise de liderança agudizou-se ainda mais quando Ngola Kabangu, eleito num congresso democrático em Novembro de 2007, viu interrompido, em 2009, o seu consulado por força de um acórdão do Tribunal Constitucional (TC).

O Tribunal Constitucional deu provimento ao recurso apresentado por Carlinhos Zassala, candidato derrotado no conclave, no qual concorreu também com Miguel Damião.

Zassala argumentou ter havido irregularidades durante o processo que conduziu Ngola Kabangu à liderança do partido, e o TC ordenou a realização de um outro, mas a decisão foi contestada pelo destituído.

Em 2010, sem a presença de Ngola Kabangu, Lucas Ngonda realizou um congresso ordinário que foi reconhecido pelo TC.

Antes, em 2006, Lucas Ngonda tinha realizado um outro conclave, mas que pouco tempo foi invalidado pelo mesmo tribunal, que alegou ter havido também irregularidades.

Curva descendente

Devido às constantes divergências de dirigismo, o partido que contava com cinco deputados saídos das primeiras eleições gerais de 1992, hoje conta apenas com um único.

Nas três últimas eleições gerais perdeu quatro deputados, e, segundo analistas políticos, caso não se reunifique, poderá participar mais fragilizado nas próximas eleições gerais, e corre o risco de ser extinto, por força da lei.

Entretanto, o alerta, segundo os seguidores do líder do partido, tem sido minimizado por este, que alega estar convicto de alcançar um resultado satisfatório em virtude do trabalho de casa que tem vindo a fazer desde 2017.

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