Pai de 10 órfãos recebe residências

O Governo entregou duas residências, cada uma com dois quartos, sala e casa de banho, no distrito urbano do Zango IV, a 10 irmãos que ficaram órfãos de mãe (que morreu à dar a luz, no mês de Maio, dois gémeos)

A família, que vivia numa casa de chapas, no Benfica, num terreno em situação de litígio, recebeu as residências após terem sidos acolhidas num dos centros de acolhimento do Ministério da Família e Promoção da Mulher.

É uma resposta ao grito de socorro que a sociedade da província de Luanda fez, no mês de Maio, período em que a família de oito irmãos perdeu a mãe, dando a luz à gémeos, numa altura em que o pai passava por dificuldades extremas, uma vez que não tem emprego.

Os quatro últimos filhos do casal são gémeos e a morte de Luísa Morais Santareino, de 39 anos, no último parto deixou “sem chão”, Ernesto Armando, o pai das crianças.

De acordo com o secretário do Estado para Acção Social, Lúcio Amaral, em resposta ao apelo foram dadas duas residências para a família e alguns bens alimentares, roupas, camas, colchões, antena parabólica, utensílios de cozinha, mesa, bancos, fraldas, leite para os bebés e berços.

O secretário explicou que o Governo entregou duas casas porque a dimensão das residências é pequena para o número de membros da família. Uma foi entregue ao pai, Ernesto Armando, como legítimo proprietário e outra à primeira filha, que tem 22 anos, Júlia Armando, por questões de segurança e para evitar conflitos familiares no futuro.

Quanto ao emprego para o responsável das crianças, Lúcio Amaral disse que também é preocupação da equipa multisectorial, sendo que vão trabalhar para que o progenitor desenvolva alguma actividade laboral e deixe de depender apenas de doacções.

Ernesto Manuel Armando, pai dos 10 órfãos de mãe, afirmou estar satisfeito e aliviado com a ajuda que recebeu. Disse ter alguma experiência de trabalho como ajudante de pedreiro e aguarda pela promessa que recebeu.

Um vazio deixado pela mãe

A filha mais velha, Júlia Armando, de 22 anos, com irmãos de 19, 14, 12, 10, dois de oito, um de três e os dois últimos gêmeos, de dois meses de idade, disse que desde o falecimento da mãe têm recebido muita ajuda, mas ainda assim há um vazio inexplicável todos os dias, deixado pela mãe.

Júlia não soube explicar a real situação em que os irmãos vivem com a ausência da mãe. Garantiu que continuará a cuidar dos irmãos.

De lembrar que os 10 irmãos ficaram órfãos no dia 13 de Maio do ano em curso. A família passou a viver num dos centros de acolhimento do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, onde passou a receber os apoios necessários, incluindo assistência e acompanhamento aos últimos gêmeos, Rosa e José.

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