Factores etnolinguísticos, danças tradicionais e modernas destacados na Live solidária

O show foi dominado por canções tradicionais da região Leste e Norte do país que, também, através da dança, transmitiram os vários aspectos da cultura angolana. O potencial e a variedade cultural foram enaltecidos pelos espectadores que acompanharam o Live

O Live realizado ontem pela TPA, com os agrupamentos Ndengues do Kota Duro, Sassa Tcokwe e o músico Santos Católica, foi “pista” para a demonstração de vários aspectos do mosaico cultural angolano, desde danças nacionais e modernas, interpretação de canções em línguas nacionais, assim como os hábitos e costumes destes povos.

O habitual show denominado “Live no Cubico”, de cariz solidário, que teve início às 14 horas e 30 minutos até às 18, permitiu a interpretação de mais cerca de 30 temas musicais, cantados nas línguas nacionais Tcokwe, Umbundo e Kimbundu, que têm sido também transmitidas nas plataformas do portal Platinaline.

Foram canções que proporcionaram momentos de euforia e nostalgia aos telespectadores e internautas, que durante a sua emissão, enviaram mensagens que enalteciam a iniciativa, que tem servido para apoiar os músicos que ali têm actuado e famílias necessitadas, nesta fase em que se vive a pandemia de Covid-19.

O grupo Ndegues do Kota Duro, da região norte do país, propriamente da província de Malanje, procedeu à abertura do evento e fez os apreciadores vibrarem com as músicas “Mona kataka”, “Uhaxi ua kilo”, “Jimo ya dibale”, “Kimonha”, “Tembeleka”, “Bukula”, e os grandes sucessos “Meu azar” “Mana zinha”, cantadas em Kimbundu e português.

Este agrupamento que se notabilizou na década de 90, durante as suas actuações mostraram-se satisfeitos em participar pela Live, e aproveitou prestar homenagem ao fundador do grupo, o já falecido Kota Duro, através de uma das suas canções.

“Agradecemos pela oportunidade que nos foi dada de voltar ao palco. Estivemos ausentes durante muito tempo, por várias razões, mas hoje estamos aqui, graças à TPA e à Platinaline. Estamos gratos pelo convite”, ressaltaram.

O grupo, considerado também como uma das mais representativas bandas folclóricas do país, que foi acompanhado pelas suas bailarinas, apelou aos telespectadores e internautas para o cumprimento das medidas preventivas contra a doença do novo Coronavírus, que tem ceifado muitas vidas em todo o mundo.

Sassa Tcokwe

Por sua vez, o conjunto da região Leste do país, Lunda-Sul, Sassa Tcokwe, que canta o estilo musical tradicional tchianda, do seu jeito peculiar, brindou os fãs com os temas “Mua sanza”, “Plato da lunda”, “Mikhosa”, “Mususu wa konde!”, “Kapamba”, “ Nudi ni Mandvumbu”, “Amama ja musono”, “ Muyeji Muyeji” e “Munema”.

Durante as actuações, o agrupamento esteve acompanhado pelos respectivos dançarinos, que interpretaram danças tradicionais com as respectivas indumentárias. As suas canções transmitiam mensagens que têm que ver com os hábitos e costumes do povo da região leste do país.

O fundador do grupo, Dacosta Ilunga, satisfeito com as interpretações, disse que além das canções, pretenderam levar à pista do show, aquilo que são as vivências do povo desta região, para maior compreensão.

Santos Católica, também da região Leste de Angola, através do estilo musical que lhe é peculiar, a tchianda, participou na “festa” ao interpretar os seus temas musicais “Linguena”, “Nalikhisa”, “Kandowa”, “Mulambeno”, “Suangogi”, “Tchipue mangu lamba” e “Tchambama”, esta última, acompanhada pela Banda Movimento.

Católica

Já Santos Católica, além da música, mostrou não estar alheio à dança, que interpretava com algumas indumentárias tradicionais, típica daquela região. O artista que canta também outros estilos musicais, como o kizomba, apelou aos artistas angolanos a apostarem e explorarem também outros ritmos musicais, para maior e melhor interpretação.

“Angola ainda é um país “virgem”, em termos culturais, que deve ser explorado, nas várias regiões, para mostrar aquilo que nos caracteriza, que é a nossa cultura. Devemos valorizar mais e divulgar a cultura angolana”, observou.

Próxima actuação

No próximo Domingo, 9, entram em cena no quadro do mesmo projecto, as Gingas do Maculusso. Depois de ter sido adiado o concerto “Gingas, o Reencontro”, marcado para 28 de Março, mas suspenso devido à pandemia, têm agora a oportunidade em mostrar e revisitar parte do reportório que muito brindaram o público.

O grupo é representado por Gersy Pegado, Daniela Miranda (Paula), Patrícia Faria, Josina Stella, Celma Miguel, Maria João, Kizua Gourgel e Figueira Ginga, acompanhados pela sua mentora e directora, Rosa Roque.

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